Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Na BR-040, resistência de caminhoneiros tem ajuda de fiéis católicos

Centenas de motoristas seguem estacionados na beira da BR-040, que liga Brasília à região Sudeste do País

André Borges, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 20h44

O fim da greve dos caminhoneiros continua a ser ignorado por centenas de motoristas que insistem em permanecer estacionados na beira da BR-040, estrada que liga o Brasília à região Sudeste do País. A aglomeração localizada a 50 quilômetros da capital federal, em Luziânia (GO), é uma das centenas de mobilizações que ainda se espalham pelo País.

+ Sem intervenção, foco de movimento é fazer governo renunciar

 

José Altair Martins, caminhoneiro de Goiás apontado por motoristas do como um dos líderes do movimento,  diz que a mobilização não aceita o acordo anunciado pelo governo e que ninguém vai embora. Ele nega qualquer tipo de influência política externa e diz que os grevistas atuam por conta própria.

"Eu não sou dono de caminhão. Sou empregado. Nem patrão eu tenho, eu trabalho por minha conta, por comissão. E a mobilização não vai acabar. Enquanto depender de mim e de muitos, não vai acabar. Estamos comendo e bebendo com o que temos e com doações. O povo está do nosso lado", diz.

 + Governo investiga infiltração de três movimentos políticos na paralisação dos caminhoneiros

Nesta terça-feira, alguns caminhoneiros decidiram deixar a mobilização e voltar para a estrada. A polícia acompanhou a saída dos caminhões. Não houve tentativa de impedir a saída, apenas hostilidades entre os caminhoneiros. Faixas e escritos nos caminhões pediam a “intervenção militar" no País.

+No WhatsApp, a força de líderes individuais entre os caminhoneiros

Culto na estrada. Em meio a gritos de revolta com o governo, pedidos de intervenção militar e xingamentos contra caminhoneiros que abandonavam a aglomeração, sobrou espaço para uma oração improvisada no meio do canteiro da BR-040.

+ Senado aprova reoneração da folha para 28 setores da economia

 

Em cima de um banco de madeira, ao lado de um pastor evangélico, o padre católico Pedro Stepien tratou de rezar um “Pai Nosso” com os manifestantes, abençoar a greve, criticar a cobertura da mobilização pela imprensa e pedir a “Deus, que livre todos os manifestantes de todo o mau, Amém”.

 

Abraçado com o pastor evangélico Adriano Vieira Lopes, o padre católico e de origem polonesa disse que sua paróquia, a de Nossa Senhora de Guadalupe, localizada ao lado da manifestação, tem recebido alimentos e água da população local para abastecer os caminhoneiros. “A igreja tem suprido todos os manifestantes com café da manhã, almoço e jantar. São mais 1 mil refeições por dia. Recebemos doações de todo lado. Deus está de nosso lado”, disse.

+ Ferrenho crítico de subsídios, Mansueto defende 'bolsa caminhoneiro'

 

No púlpito improvisado, o pastor Adriano Vieira Lopes erguia os braços e rezava em voz alta, acompanhado pelos manifestantes e policiais. “Ficaremos aqui até a vitória, até quando Deus quiser!”, disse.

 

Até o fim do dia de ontem, pelo menos duas dúzias de caminhões já tinham deixado a aglomeração em Luziânia. Mais de uma centena de caminhões, porém, ainda permanecia no local. A 70 quilômetros dali, em Cristalina, outra aglomeração de caminhoneiros promete continuar mobilizada.

Mais conteúdo sobre:
greve caminhoneiro Rodovia Br-040

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.