Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após briga, presidente da ABDI deve ser exonerado

Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial acusou secretário do Ministério da Economia de fazer pedidos escusos e Bolsonaro disse que os dois poderiam 'perder a cabeça'

Lorenna Rodrigues e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2019 | 10h45
Atualizado 03 de setembro de 2019 | 00h08

BRASÍLIA -  Depois de o presidente Jair Bolsonaro pedir uma apuração sobre as declarações do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto Ferreira, que disse ter recebido “pedidos não republicanos” do secretário especial de Produtividade e Emprego do Ministério da Economia, Carlos da Costa, a pasta tratou dos trâmites para a exoneração de Ferreira, segundo o Estadão/Broadcast

O mais cotado para assumir a agência, de acordo com apuração da reportagem, é o secretário adjunto de Produtividade, Igor Calvet – o número dois da secretaria de Costa.

Nesta segunda-feira pela manhã, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que pelo menos um dos envolvidos deveria ser demitido. “Um dos dois, no mínimo, vai perder a cabeça. Porque não pode ter uma acusação dessas. Daí vão dizer que ele ficou lá, porque tem uma bomba embaixo do braço. Não é esse o meu governo. Um dos dois, ou os dois, perderá a cabeça”, afirmou.

A disputa entre os subordinados teria desagradado o ministro da Economia, Paulo Guedes, que, segundo interlocutores, disse que o governo não pode perder tempo com brigas internas.

Ponto de discórdia

Ferreira disse, no domingo, ter sido pressionado por Costa a bancar o aluguel de salas em São Paulo sem necessidade. De acordo com o presidente da ABDI, o aluguel serviria para abrigar escritórios da secretaria e criaria um custo adicional de R$ 500 mil por ano à agência, que é mantida por meio de repasses de recursos do Sistema S. Ele não quis revelar que outros pedidos “não republicanos” teriam sido feitos pelo secretário.

Costa divulgou ontem nota em que afirmou que “refuta terminantemente ter feito qualquer pedido não republicano” e disse que já está adotando medidas para acionar a Justiça contra “denúncias infundadas”. “Todas as solicitações feitas pelo secretário foram literal e rigorosamente pautadas pelos princípios de economicidade, legalidade e legítimo interesse público”, afirma o texto.

A relação entre Ferreira e Costa vinha se deteriorando nos últimos meses e o conflito culminou numa reunião do conselho deliberativo da ABDI, do qual o secretário é presidente. Costa teria questionado gastos da agência, entre eles cerca de R$ 7 milhões com um único escritório de advocacia, o que representa 8% do orçamento da agência. Ferreira disse ao Estadão/Broadcast que a despesa se refere ao pagamento de honorários de um caso, no qual a ABDI venceu e recebeu R$ 65 milhões. O contrato previa pagamento de 11% de honorários se a causa fosse ganha. / COLABOROU IDIANA TOMAZELLI

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