Na China, iPad pirata encalha nas prateleiras

Consumidores chineses, cada vez mais sofisticados, dizem preferir pagar mais e esperar pelo produto original da Apple

Melanie Lee, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

Os piratas chineses que oferecem uma nova leva de clones do iPad, o novo lançamento da Apple, esperam que o lançamento global do produto legítimo traga alguma publicidade para os seus artigos falsificados, cujas vendas têm sido lentas.

Mas a pirataria está encontrando dificuldades no caso da falsificação do iPad, pois os consumidores chineses, cada vez mais sofisticados, estão procurando o produto original, conhecido tanto por seu desempenho inimitável quanto por sua aparência fácil de copiar.

Esta semana, numa loja localizada em um dos melhores mercados de eletrônicos de Xangai, o proprietário de sobrenome Li se esforçava para vender um novo clone do iPad, chamado de iRobot, anunciando-o como irmão gêmeo idêntico ao original.

"O modelo é caro e acabou de chegar de Shenzhen. Ainda não vendemos muitos destes, talvez apenas dois por dia", disse um simpático Li, cercado por toda uma gama de produtos com a marca da Apple e de procedência desconhecida, incluindo três tipos de iPhone.

"Até o momento, poucas pessoas sabem a respeito do iPad, mas, após o lançamento mundial oficial da Apple, muitas desejarão um destes. Se não puderem arcar com o custo, elas comprarão o modelo falso", disse.

O iPad foi lançado oficialmente em todo o mundo ontem, aparecendo nas vitrines de países como Austrália, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha e Suíça. O produto deve chegar a Hong Kong em junho, mas a data para o lançamento na China não foi anunciada.

Uma porta-voz da Apple em Pequim não soube informar quando o iPad estaria disponível na China e não quis comentar a respeito dos modelos falsos. Os piratas esperam capitalizar em cima dos preços mais baixos e da disponibilidade antecipada para atrair os consumidores chineses, mas seu sucesso foi limitado até o momento.

Falsificação. O iRobot oferecido por Li custa US$ 400, preço inferior aos US$ 500 cobrados pelo iPad verdadeiro, e vem equipado com uma série de características que o distinguem do modelo oficial da Apple, como entradas USB, leitor de cartões de memória e invólucro de plástico barato, traços comuns entre as falsificações.

Tais diferenças, combinadas ao desempenho inferior em fatores como o tempo de inicialização e a facilidade de uso, estão afastando dos produtos piratas um número cada vez maior de consumidores chineses em potencial.

Zhou Xi, de 26 anos, executivo de marketing que já é dono de um iPhone, disse que prefere pagar o preço de um iPad legítimo. "Sinceramente, aqueles que já experimentaram o produto original não se contentam com imitações", disse Zhou, que se declara fã da Apple, enquanto procurava uma capa protetora para seu iPhone em uma das lojas de produtos Apple do shopping.

Xiao Yi, funcionária de escritório de 23 anos, disse ter pensado imediatamente num iPad quando teve de decidir qual seria o grande prêmio sorteado num jantar que será oferecido pela empresa em que trabalha.

"Não conheço muito a respeito da Apple enquanto marca, mas sei que o iPad é um novo lançamento, e pensei que este poderia ser um bom presente", disse ela, enquanto comprava acessórios para o iPhone numa loja da Apple localizada no melhor shopping de produtos eletrônicos de Xangai. Ela disse que ainda não tinha decidido se aceitaria comprar em vez disso o iPad falsificado.

"O problema da pirataria é menor desta vez por causa da funcionalidade do produto original", disse Dean Li, analista da Mirae Asset. "O poder da marca Apple é considerável. Não importa que o preço seja alto, os consumidores chineses não se preocupam com isto", disse ele. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

PARA LEMBRAR

Produto é sucesso de vendas

Lançado no final de janeiro, o iPad foi apresentado como uma nova revolução tecnológica. O tablet da Apple, uma mistura de notebook com smartphone, sofreu muitas críticas no dia do lançamento. Foi chamado de "iPhone gigante" (apesar de não fazer chamadas telefônicas convencionais) e acusado por especialistas de não ter câmera fotográfica nem capacidade multitarefa. Mas o público adorou o produto. Só nos Estados Unidos, já foram vendidos mais de um milhão de unidades desde que chegou ao mercado, em abril. A procura é tanta que o lançamento em outros países teve de ser adiado pela Apple.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.