Na China, protesto contra imposto gera confrontos e censura à internet

Autoridades agiram para impedir que os usuários de redes sociais do país vissem notícias sobre o caso 

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

28 de outubro de 2011 | 11h55

PEQUIM - Um protesto reunindo milhares de pessoas em uma cidade da China resultou em confrontos com a polícia, levando o regime comunista a bloquear hoje as notícias sobre os distúrbios. O quadro é mais um sinal de tensões econômicas na segunda economia do mundo.

Carros foram atacados e várias pessoas ficaram feridas nos distúrbios, que duraram mais de um dia e envolveram milhares, disseram autoridades locais no site da província de Zhejiang, onde ocorreu o problema. Autoridades rapidamente impediram que os usuários das populares redes sociais do país vissem notícias sobre o caso.

As buscas por Zhili, nome da cidade onde ocorreram os protestos, eram bloqueadas, bem como as pesquisas por "imposto" e "protesto". Os distúrbios começaram na quarta-feira e seguiram pela quinta-feira, sendo dos maiores ocorridos na China nos últimos meses.

Um site do governo local afirmou que 28 pessoas foram presas por envolvimento nos distúrbios e a polícia teve de usar medidas "duras" para contê-los.

Na quinta-feira, autoridades determinaram que as pessoas não deveriam sair de casa, para controlar a situação. O protesto reuniu donos de pequenos negócios e trabalhadores em Zhili, cidade 130 quilômetros a oeste de Xangai.

Em um texto sobre o caso em seu site, o jornal estatal Global Times informa que o protesto ocorreu contra o aumento de um imposto anual, de 300 yuans (R$ 80) para 600 yuans. Segundo o site local Zhejiang, o dono de uma fábrica recusou-se a pagar o imposto, o que estimulou outros a se insurgirem contra a regra e irem às ruas para protestar.

O jornal afirma que o incidente "indica uma tendência perigosa de que alguns conflitos podem resultar em violência". "Essa tendência deve terminar", defende o diário estatal, sugerindo punições "rápidas e, se necessário, muito duras".

Um dono de uma empresa local disse por telefone que a situação estava calma nesta sexta-feira, mas havia muitos policiais na cidade e os moradores receberam ordens para seguir em suas casas.

Os protestos ocorrem no momento em que pequenas empresas privadas, muitas das quais concentradas na área próxima a Xangai, sentem-se pressionadas pelos esforços do governo para puxar um pouco o freio no crescimento econômico a fim de controlar a inflação. Esses esforços limitaram o crédito para algumas pequenas firmas, o que levou o governo este mês a anunciar medidas para ajudar pequenas e médias empresas. As informações são da Dow Jones.

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