Na China, Temer compra um par de sapatos e um cachorro eletrônico

Em sua primeira viagem internacional, o presidente comprou dois produtos que simbolizam bem a crise da indústria brasileira

Cláudia Trevisan e Fernando Nakagawa, enviados especiais, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2016 | 07h18

HANGZHOU, CHINA - O presidente Michel Temer foi ao shopping do outro lado do mundo para comprar dois produtos que simbolizam a crise da indústria brasileira: sapatos e brinquedos. Em sua primeira viagem internacional, o peemedebista gastou o equivalente a R$ 389 em um par de calçados e R$ 195 em um cachorro eletrônico que fala chinês.

Temer foi às compras no sábado à tarde, depois de se reunir com o secretário-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Roberto Azevedo, e dar entrevista coletiva à imprensa brasileira na China. O presidente saiu para o que a assessoria do Palácio do Planalto classificou como uma "agenda privada". 

O destino não revelado era uma das principais lojas de departamento de Hangzhou, a cidade que sedia a reunião do G20, o primeiro grande evento internacional de que o brasileiro participa desde que assumiu a presidência de maneira definitiva, na quarta-feira. 

A chegada do carro oficial ao local chamou a atenção dos chineses e logo ganhou as redes sociais. Fotos captadas por celulares mostram dezenas de pessoas ao redor do veículo. Nas imagens, Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros, acenam para os curiosos. Os detalhes da passagem do presidente e sua comitiva pelo shopping foram obtidos por um site de notícias ligado a jornais oficiais de Hangzhou. Entre as informações reveladas, estava a de que o presidente do Brasil calça 39. Em entrevista no fim da tarde de domingo, Temer disse que precisou comprar sapatos novos porque o salto do seu havia quebrado.

A administração do shopping foi avisada com uma hora de antecedência de que receberia um visitante importante por volta das 15h30, mas nenhum procedimento especial de segurança foi adotado. Temer ficou 50 minutos no local. Na loja de sapatos Satchi, a vendedora Ting Shao se surpreendeu ao saber que havia atendido o presidente do Brasil e pediu para tirar uma foto a seu lado.

A marca é sediada em Guangdong, província do sul do país que foi o destino de várias fábricas de calçados que deixaram o Rio Grande do Sul nos 90, em um dos principais exemplos de transferência de tecnologia e de empregos do Brasil para a China. Até então, o país asiático não tinha know-how de produção de sapatos de couro. O Brasil era um dos líderes desse segmento e chegou a ser um dos maiores exportadores do mundo nas décadas de 70 e 80. 

A concorrência de brinquedos importados da China foi devastadora para a indústria brasileira do setor, que encolheu de maneira drástica nas últimas décadas. Além de falar chinês, o cachorro eletrônico comprado pelo presidente pode ser movimentado por controle remoto ou celular.

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