EFE/Rafael Cañas
EFE/Rafael Cañas

Na China, Temer enaltece economia doméstica e diz que 'o Brasil está de volta'

Para o presidente, País oferece oportunidades seguras e parceiros confiáveis aos empresários chineses

Célia Froufe, enviada especial, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2017 | 13h37

PEQUIM - O presidente Michel Temer recorreu a todos os números e dados possíveis sobre o desempenho recente da economia brasileira para convencer empresários chineses a investir no Brasil, durante um seminário promovido pelo governo em Pequim neste sábado, 2. Citou taxas de inflação e juros menores, reversão da atividade econômica, recordes de safra e a melhora do mercado de trabalho, entre outros pontos.

Segundo ele, foram realizados tantos feitos nos seus 15 meses de gestão, que parece ter passado mais tempo. "O Brasil está de volta. E aguardando os empresários chineses", concluiu a uma plateia de 360 executivos, dos quais pouco mais de metade potenciais investidores locais.

No discurso de 18 minutos, o peemedebista ressaltou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro passou de uma taxa negativa no ano passado para um crescimento de 1% no primeiro trimestre de 2017 e de mais 0,2% nos três meses seguintes. "Portanto, a recuperação do PIB brasileiro ocorreu em pouquíssimo tempo", contabilizou. Ele disse que não só a economia voltou a se expandir, como a inflação, que era superior a 10% quando assumiu o governo, está agora abaixo de 3%. "Estamos abaixo do piso da meta. Aliás, do teto da meta fixada nos últimos tempos", disse, confundindo-se com os parâmetros. Na realidade, já se fala que o índice de preços oficial poderá ficar abaixo do piso do objetivo perseguido pelo Banco Central.

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Temer também enfatizou que os "resultados já se fazem sentir" ao citar que, da mesma forma, a taxa básica de juros já caiu sensivelmente no período, passando de mais de 14% ao ano para apenas um dígito (9,25% ao ano).

Mencionando projeções de analistas, ele falou para os chineses que a taxa Selic talvez termine o ano entre 7% e 7,5% ao ano. Enfatizou ainda a atualização de marcos regulatórios em áreas consideradas chave pelo governo, como petróleo e gás, mineração e energia elétrica, e o recorde da safra agrícola. "Estamos tentando recuperar o dinamismo da economia."

O primeiro passo, conforme o presidente, foi recuperar a credibilidade das contas do governo. Aos chineses, contou sobre a aprovação da PEC do teto, com a intenção de equilibrar as contas públicas, e de medidas para garantir a eficiência da gestão pública. "Trouxemos legislação trabalhista para a realidade do século XXI, flexibilizando-a", salientou, prometendo, na sequência, avanços na reforma da Previdência Social. "Estamos levando adiante a mais ambiciosa agenda de reformas vista no Brasil em muito tempo."

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Com o gancho de que "há ainda muito por fazer", Temer começou a falar diretamente à plateia sobre o objetivo que o levou até ali: a privatização de 57 ativos, como portos e aeroportos, para dar um "salto de qualidade" na infraestrutura do País.

O presidente foi até à capital chinesa, aproveitando o deslocamento que faria ao País para participar da reunião de líderes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Xiamen, a partir de amanhã (3).

Esta é a quarta vez Temer visita o país desde 2013 e foi também o seu primeiro destino como presidente da República. Segundo ele, apesar da distância geográfica, Brasil e China estão "mais próximos do que nunca".

Para Temer, o País oferece aos empresários chineses, oportunidades seguras e parceiros confiáveis. "O Brasil é País fértil, um País rico em oportunidades: temos recursos como um grande mercado consumidor, um povo criativo e trabalhador, um parque industrial dinâmico e diversificado, uma agricultura de alta tecnologia e sustentabilidade. As empresas que já estão no Brasil sabem que têm condições para prosperar", destacou. 

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