Na China, visita frustra setor privado

Encontro foi esvaziado pela ausência de ministros

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

O setor privado brasileiro está "bastante frustrado" com a visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia hoje à China e acredita que o Brasil perderá uma grande oportunidade de promover sua imagem e de buscar de maneira mais agressiva a abertura da terceira maior economia do mundo aos produtos nacionais.As afirmações são de Rodrigo Maciel, secretário-geral do poderoso Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a entidade que reúne as maiores empresas brasileiras com investimentos na China e vice-versa. Entre os associados do CEBC estão Vale, Embraer, Embraco, entidades do agronegócio, Petrobrás, Banco do Brasil, Itaú BBA e as chinesas Huawei, Chinalco, AVIC e Sinopec.Segundo Maciel, o setor privado esperava que a visita fosse funcionar como uma plataforma de promoção comercial do País, com eventos que tivessem a participação de ministros, entre os quais o da Fazenda, que não acompanhará o presidente.A visita terá pouco mais de 48 horas e Lula deixa o país na hora do almoço de quarta-feira. A comitiva terá quatro ministros: Celso Amorim (Relações Exteriores), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Franklin Martins (Secretaria de Comunicação) e Pedro Brito (Secretaria de Portos). Quando esteve na China em 2004, Lula foi acompanhado de oito ministros."O governo precisa abrir as portas para as empresas na China. Isso é o que todos os governos fazem. Talvez em nenhum outro país esta parceria entre governo e empresários seja tão importante como na China", afirmou Maciel, que participará hoje de seminário para investidores chineses, em Xangai.O evento acabou esvaziado pela ausência de Guido Mantega, anunciada com antecedência, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, decidida na véspera da visita. As empresas brasileiras que patrocinam o seminário e participaram de sua organização só souberam que Meirelles não estaria presente na noite de sexta-feira. Ele falaria sobre o impacto da crise financeira global no Brasil. Pouco mais de uma semana antes da chegada de Lula também foi cancelado evento empresarial que deveria ocorrer em Shenzhen, cidade do Sul que concentra empresas exportadorasA intenção do CEBC era levar uma missão de fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos à região, junto com um ministro, para contato com empresas e autoridades locais. "A ideia de que a China só importa produtos primários não é verdadeira: 69% das importações do país são de bens manufaturados e o item com maior peso individual são máquinas e equipamentos."Outro evento para o mesmo setor concebido para a cidade de Cantão, também no sul, não chegou nem a ser organizado. As importações da China no ano passado alcançaram US$ 1 trilhão, valor equivalente a cinco vezes o total das vendas brasileiras para o exterior. No mesmo período, os embarques do Brasil para o país asiático ficaram em US$ 16,4 bilhões. "O Brasil reclama da necessidade de diversificar suas exportações para a China e esta era a oportunidade de procurar mais abertura do mercado e reduzir o desconhecimento em relação ao Brasil", ressaltou o secretário-geral do CEBC. Ele comparou o desempenho do governo brasileiro com o da Espanha, que só no ano passado organizou 42 missões empresariais para a China.

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