Na cidade dos motores, turismo atrai empresas

Conhecida por ser sede da Weg Motores, a catarinense Jaraguá do Sul começou a sediar lutas da UFC e entrou na rota de investidores

Marcos Dias de Oliveira, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 21h00

JARAGUÁ DO SUL (SC) - Tradicional polo de fabricação de malhas e sede da Weg, a principal fabricante de motores elétricos do País, Jaraguá do Sul, a 200 km de Florianópolis (SC), começa a aparecer como centro de eventos esportivos. Etapas da UFC, da Liga Mundial de Vôlei e da Liga Nacional de Futsal são disputadas num dos mais completos palcos para o esporte: a Arena. Esses eventos têm atraído um grande número de turistas para a cidade de 160 mil habitantes, que começa a receber investimentos também no setor de serviços.

A incorporadora imobiliária Trade Invest, por exemplo, tem um projeto de investimento, ainda em fase de aprovação, para construir um shopping center de 26 mil m² de área de lojas (ABL), torres residenciais, de escritórios e um hotel, exatamente para atender à essa demanda por serviços. “Percebemos que quem vêm para a cidade assistir a esses eventos têm de se hospedar em Curitiba (PR), que fica a mais de 100 km”, diz o diretor da incorporadora, Luiz Roberto Pessoa Gonçalves.

A incorporadora pretende investir R$ 200 milhões nesse empreendimento. Já adquiriu uma área de 110 mil m² no município. O executivo está animado com o projeto, ressaltando que o desemprego é praticamente zero na cidade. Isso torna a região atraente em termos de renda e consumo. Mas o outro lado da moeda é a escassez de mão de obra.

Emprego. Jaraguá do Sul vive um bom momento de empregabilidade e de expansão de suas empresas, apesar da crise que afeta o País. No primeiro semestre deste ano, o município posicionou-se na terceira colocação no ranking das cidades que mais abriram postos de trabalho. Hoje o município é o quinto maior do Estado, do ponto de vista econômico, com a renda per capita de R$ 45.069,49 e 77% da população morando em casa própria.

O fato de a cidade ter várias empresas que competem no mercado mundial – com produtos e serviços de considerável valor agregado e mão de obra local relativamente qualificada – contribuiu para o baixo índice de desemprego, mesmo em períodos de crise, como o atual. Além disso, a economia é diversificada. O parque fabril inclui segmentos como vestuário, alimentício e eletromecânico. No segundo trimestre, a Weg, por exemplo, faturou R$ 2.349 milhões, com crescimento de 29% sobre o mesmo período de 2014. Além da indústria, o comércio varejista é outra força da economia local e o setor é quarto maior empregador de Jaraguá do Sul.

Emprego estável se traduz em consumo. O professor Alaan José Kruk, 37 anos, por exemplo, está otimista, apesar da crise. Ele decidiu pesquisar antes de comprar um automóvel zero na faixa de R$ 50 mil. Para ele, crises sempre existiram e não devem ser motivo para desmotivação. “Depois do carro pretendo adquirir um apartamento numa das praias do litoral catarinense.”

O encarregado que trabalha numa empresa do setor de malharia, Reinaldo Francisco, é outro que está confiante Ele decidiu comprar uma máquina de lavar roupa nova. “A outra queimou e decidimos (com a mulher, Suziane de Fátima) aproveitar o crediário sem juros para comprar uma nova.” Ele conta que a empresa onde trabalha há seis anos está em plena produção, por isso acredita que o seu orçamento não será afetado.

Perspectiva. Para impulsionar o desenvolvimento da cidade, o prefeito Dieter Jenssen encomendou ao Instituto Jourdan um plano que define a política de desenvolvimento, onde são apontadas ações de curto, médio e longo prazos. Uma das metas é facilitar a instalação de novas empresas na cidade em um tempo recorde de 90 minutos. Prospectar condomínios empresariais e empresas voltadas aos segmentos de Tecnologia da Informação (TI), setor energético e automobilístico e foco alternativo nas atividades de design, moda, economia criativa e hoteleiro, estão entre as metas.

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