Na comparação com o ano anterior, investimento tem queda recorde de 17%

Ministro do Planejamento admite que será difícil atingir a meta de investimentos de 20% do PIB definida pelo governo

Adriana Chiarini, Celia Froufe e Natália Gomez, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

A indústria e os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF) foram o destaque negativo na economia brasileira no segundo trimestre: caíram não só em volume, mas também em valores absolutos, ante o mesmo período do ano passado. Nesse tipo de comparação, a queda constatada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 17% nos investimentos, foi o pior resultado da série histórica, iniciada em 1996, como informou a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

O saldo revelado pela pesquisa invalidou os planos do governo de elevar no curto prazo a taxa de investimentos brasileira para 20% do PIB, nível perseguido nos últimos anos. "Ficou difícil para o governo atingir os 20%", admitiu o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Parece que teve uma debandada dos investimentos. O presidente Lula já havia detectado isso." Ele afirmou, no entanto, que já há sinais de recuperação no atual trimestre.

"Está indo bem", resumiu o ministro à Agência Estado, descartando a hipótese de o governo tomar medidas adicionais para atrair investimentos produtivos até o fim do governo Lula.

As estatísticas do IBGE mostram que o declínio foi provocado, principalmente, pela redução da produção interna de máquinas e equipamentos, mas a importação de máquinas também diminuiu e a construção civil caiu. "Em todos os componentes de investimento, não tem nada com desempenho positivo", disse Rebeca. A composição da FBCF é de cerca de 50% de máquinas e equipamentos e 40% da construção civil, além de outros componentes.

O nível de investimentos permaneceu inalterado no segundo trimestre (15,7%) em relação ao trimestre anterior. No primeiro semestre, acumulou queda de 15,6% em relação a igual período de 2008. Nos 12 meses terminados em junho, houve redução de 2,2%.

As perspectivas estão melhorando, mas a FBCF não deve se recuperar logo, de acordo com o chefe do Centro de Crescimento Econômico da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Samuel Pessoa. Ele observa que as empresas investem quando há pouca ociosidade, o que não é o caso agora. "O nível de utilização da capacidade instalada (NUCI), pela Sondagem da Indústria da Fundação, está na casa de 80%. No ano passado, antes da crise, chegou a 86%."

Por isso, entende que a queda recorde já era esperada e que o retorno do investimento não será imediato. Ele projeta a variação zero para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, mas aposta em crescimento de 5% no ano que vem. Pessoa trabalha com a hipótese de utilização de capacidade de 82%, no cenário para 2010. No entanto, não descarta um aumento para 85%, o que levaria o PIB de 2010 a uma expansão de 5,7%.

O sócio da Iposeira Partners e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eleazar de Carvalho, também observa que o investimento depende do uso, ainda baixo, da capacidade instalada. Mas está otimista. "Há vários setores com projetos para entrar em operação, como o siderúrgico. E há outros projetos que pararam, mas que serão retomados." A grande questão, para ele, continua sendo o crédito, principalmente do exterior.

Um dos segmentos mais afetados pela crise, o setor siderúrgico já apresenta sinais de melhora e deve dar uma contribuição maior para o PIB no terceiro trimestre, segundo o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro. Para ele, as vendas no período em relação ao segundo semestre devem crescer de 15% a 16%, somando 930 mil toneladas. "A contribuição do setor será maior ao longo do terceiro trimestre, e as vendas também devem aumentar no quarto trimestre."

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