Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

'Na construção, roubam tudo, de torneira a vaso sanitário'

Empresários contam o que têm feito para reduzir as perdas com a criminalidade; mas medidas são caras

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 05h00

O muro da empresa de Cesar Prata é o retrato da escalada da criminalidade no Brasil. Desde a década de 80, quando a empresa foi criada, ele elevou a altura do muro algumas vezes. Saiu de 2 para 3,5 metros e agora tem uma cerca elétrica no topo. Ainda assim, a Asvac – que produz peças para indústria naval – foi assaltada e a empresa perdeu máquinas e computadores.

Depois disso, Prata decidiu modernizar as ferramentas de segurança e instalou um sistema eletrônico que capta qualquer movimentação fora da normalidade. Trata-se de um alarme conectado com uma delegacia e com os sócios diretamente. Além da proteção na sede da empresa, o empresário também faz seguro das cargas e contrata escolta armada em algumas situações. “Mas o serviço é muito caro.” Ele conta que já teve uma carga roubada no caminho para o Rio de Janeiro.

Nesse caso, o caminhão não estava sendo escoltado, mas havia seguro. Embora o prejuízo tenha sido minimizado, o desgaste é grande, pois o cliente precisa das peças e uma nova produção não é imediata. O empresário conta que por causa da situação precária das estradas e pelo roubo de carga, o preço do frete também aumentou bastante nos últimos anos. “As estatísticas são assustadoras e não há previsão de melhora.”

A construtora Coelho Engenharia também tem a mesma percepção. Em menos de um ano, dois empreendimentos imobiliários da empresa foram invadidos. Em Mauá, na Grande São Paulo, a ação durou apenas quatro horas, mas o suficiente para quebrarem várias portas e janelas do residencial do Minha Casa Minha Vida. Em Porto Alegre (RS), porém, a invasão já dura dez meses no Residencial Porto Novo. “São regiões um pouco mais afastadas, próximo de moradias irregulares. Conforme vamos concluindo os imóveis, alguns grupos se acham no direito de invadir e destruir tudo”, diz o diretor comercial da construtora, Argemiro Jonas da Silva. A Caixa, responsável pelo programa, afirma que já entrou com pedido de reintegração de posse. “Quando sair a decisão e as pessoas forem retiradas, vamos ter de refazer quase tudo”, diz Silva.

Nos dois locais, havia vigia 24 horas por dia, porteiro e seguro de alguns materiais. Ainda assim, os prejuízos são grandes. Ele conta que essas foram as primeiras invasões que a empresa sofreu. Antes disso, no entanto, era comum roubo de materiais. “Já roubaram de tudo: janela, torneira e vaso sanitário. O detalhe é que tudo estava instalado.”

A Construtora Elecon já passou por vários roubos, pequenos e grandes. Na última delas, no ano passado, os ladrões renderam o vigia de um empreendimento do Minha Casa Minha Vida e levaram todas as bobinas de cabos elétricos que tinha chegado um dia antes. “Roubaram até os cabos que haviam sido instalados na construção”, afirma o dono da empresa, Sérgio Lafraia.

Após o incidente, a construtora foi obrigada a reforçar a segurança e melhorar a parte de comunicação da empresa, com a adoção de rádios. “Os custos são altos. Calculo que o gasto seja o dobro, considerando o que gastaria se o País tivesse segurança adequada.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.