JF Diorio|Estadão
JF Diorio|Estadão

Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Na crise, cartões de benefícios apostam em tecnologia

Empresas direcionam esforços para soluções que ajudam o usuário a economizar, pois a inflação está corroendo os valores dos benefícios

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2016 | 05h00

As empresas de cartões de benefícios estão travando uma corrida tecnológica em busca de diferenciação neste momento de crise. Por causa da crise econômica, que acarretou o fechamento de 1,7 milhão de vagas de emprego formal no Brasil em 12 meses, essas companhias vêm perdendo usuários. Para manter a preferência de quem utiliza o serviço, as empresas investem em soluções que enviam promoções personalizadas e em programas de fidelidade para quem paga a refeição com cartões de benefício.

Nos últimos anos, as empresas de benefícios direcionaram seus esforços para criar soluções para o usuário final do cartão – que são os funcionários de seus clientes, já que o serviço é prestado para as empresas, que repassam o benefício aos trabalhadores.

A lógica é tentar oferecer um benefício cada vez mais valorizado pelo empregado. O objetivo é que o profissional faça pressão com os gestores de recursos humanos para que a empresa mantenha uma determinada bandeira, em detrimento de outra. “É verdade que o cenário mudou e não há mais uma disputa tão acirrada por trabalhadores entre as empresas. Mas os bons profissionais ainda são disputados e precisam ser retidos. E quem ficou precisa ser mais engajado”, afirmou ao Estado Fernando Cosenza, diretor de inovação da Sodexo.

A intenção de agradar os funcionários fica transparente em inovações recentes da Ticket. A empresa já lançou um aplicativo que funciona como atendente virtual para o Apple Watch e investiu na startup VocêQPad, que permite ao usuário olhar o cardápio, fazer o pedido e pagar por meio de um app. “Trata-se de um investimento para melhorar a produtividade e trazer diferenciação”, diz Cyrille Verdier, diretor de inovação da Edenred Brasil, dona da Ticket.

Apesar de toda a disputa tecnológica, o fator preço continua a pesar na decisão das companhias. O diretor de marketing e produtos da Alelo, André Turquetto, admite que os negócios ainda são muito pautados pelo valor. “As empresas precisam ter preço competitivo e também oferecer algo mais para o usuário do cartão.”

Inflação. Além da redução do total de usuários, outro efeito da crise no segmento de benefícios é a corrosão do saldo do vale-alimentação ou vale-refeição pela inflação. Isso é um risco para as empresas, que tentam evitar que o benefício oferecido perca relevância para o usuário.

Nesse contexto, elas têm intensificado as parcerias com os estabelecimentos para oferecer descontos para sua base de usuários. Os aplicativos são a forma de as empresas divulgarem as promoções aos seus clientes e até oferecer descontos personalizados.

A Alelo investiu em sistemas para identificar o comportamento de compra de cada consumidor – em que região da cidade almoça, quanto gasta, qual seu restaurante preferido e tipo de comida que mais gosta.

A empresa usa seu aplicativo para oferecer promoções personalizadas, que são validadas automaticamente nos terminais de pagamento da Cielo, que faz parte do mesmo grupo. A Alelo poderá, assim, enviar uma promoção em um restaurante japonês apenas para os clientes de determinado bairro que gostam deste tipo de culinária.

Em um projeto-piloto com 50 restaurantes na região da Av. Paulista e da Vila Olímpia, em São Paulo, os consumidores atingidos conseguiram economia de até 25% no saldo do cartão entre outubro de 2015 e fevereiro deste ano. Para os restaurantes, a receita subiu cerca de 20%. A empresa vai expandir este ano o projeto para 250 cidades do Brasil e 160 mil estabelecimentos comerciais – cerca de 40% da sua rede credenciada.

A Sodexo também quer fazer o benefício render mais. A empresa abriu seu aplicativo para os restaurantes parceiros criarem programas de fidelidade próprios, incentivando que os fregueses voltem no estabelecimento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.