Felipe Rau/ Estadão
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ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Na crise, empresas investiram em tecnologia

Para se preparar para a retomada do crescimento, elas tiraram da gaveta projetos para melhoria de processos

Humberto Maia Junior, Especial para O Estado

31 de março de 2018 | 05h00

Nos últimos dois anos, muitas empresas tiraram da gaveta projetos para melhoria de processos e adoção de novas tecnologias. Elas precisavam se adequar à queda na produção, ao aumento de custos, mas, principalmente, se preparar para a retomada do crescimento.

“Com os níveis de inflação que tivemos nos últimos anos, a empresa que não investiu em produtividade passou por grandes apuros”, diz Armando do Valle Junior, vice-presidente para América Latina da Whirlpool. “Não houve, e continua não havendo, espaço para repassar os aumentos de custos para os preços.” Segundo o executivo, a empresa realizou cerca de 700 tipos de investimentos, “de softwares a máquinas”, para aumentar a produtividade.

A Celma, divisão de Aviação da GE no Brasil, há dois anos investe em novas tecnologias, como impressão 3D, big data e realidade aumentada, para se tornar mais eficiente. A impressão 3D é usada para a construção de peças e ferramentas usadas na manutenção das turbinas. O ganho é evidente: em vez de encomendar uma ferramenta, que poderia levar dias, ela é “impressa” em até 12 horas, dependendo do tamanho.

A GE Celma trabalha para ter, até o final do ano, um sistema de coleta e análise de dados para melhorar a eficiência no processo de revisão das turbinas e uso de “óculos inteligentes” com realidade aumentada para facilitar a inspeção de motores. “A tendência é que essas tecnologias se tornarem cada vez mais comuns”, diz Julio Talon, presidente da GE Celma.

A montadora de ônibus Marcopolo também aproveitou a recessão para um ajuste. A empresa, com sede em Caxias do Sul (RS), criou um programa para atacar quatro áreas: segurança, qualidade, entrega e custo – todos ligados ao aumento de eficiência e produtividade. Com isso, reduziu em 70% o número de acidentes, que resultam em menos afastamento dos profissionais.

As falhas de produção caíram pela metade e os custos 7; Ao mesmo tempo, houve um ganho de 20% no tempo de montagem de um ônibus. “Para competirmos globalmente, fazer mais com menos é uma busca constante”, diz  o diretor-geral da Marcopolo, Francisco Gomes Neto.

Entre 2011 e 2016, a produção da Marcopolo caiu de 21.320 unidades produzidas para 7.181. No ano passado, subiu para 8.852 unidades. 

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