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Na Dinamarca, Lula confere modelo trabalhista flexível

Sindicato que Lula vai visitar afirma que trabalhadores não devem temer reformas.

Pablo Uchoa, BBC

12 de setembro de 2007 | 15h04

Os trabalhadores não devem temer as reformas trabalhista ou sindical - desde que elas venham para fortalecer a posição de empregados em uma economia mais flexível, disse um porta-voz do sindicato que Lula visitará na Dinamarca nesta quinta-feira."Esse tipo de reforma não é ruim", disse em entrevista à BBC Brasil Erik Nielsen, conselheiro para assuntos internacionais da LO, a central sindical que Lula visitará durante sua estada em Copenhagen.Entretanto, ele ressaltou que a flexibilização das leis trabalhistas pode resultar em precarização do trabalho se não forem dadas certas condições, como uma ampla rede de seguridade social e sindicatos fortes.Diferentemente do Brasil, onde o tema opõe patrões e empregados diametralmente, os dinamarqueses se gabam de estar no mesmo barco, no modelo chamado "flexi-seguridade".O lado da flexibilização está no que Nielsen chama de "amplo direito de contratar e demitir", que facilita a vida das empresas. Além disso, muitos aspectos ligados ao trabalho não são regidos por lei, mas por acordos coletivos. Não existe na Dinamarca, por exemplo, um salário mínimo determinado pelo governo.O lado da seguridade está na garantia de que um trabalhador fora do mercado pode usufruir de benefícios que alcançam até 90% do seu último salário.Algo que só é possível porque aqui, como diz Nielsen, muitos "estão satisfeitos" em dar ao governo cerca de 50% do seu salário em impostos para "garantir o sistema de bem-estar social"."Quem defende a flexibilização (das leis trabalhistas) normalmente só fala de uma parte da equação", diz Nielsen.É um modelo difícil de ser exportado, especialmente para países como o Brasil, onde os benefícios sociais são insignificantes comparados aos dinamarqueses.Mais: dados oficiais mostram que, nos últimos anos, o número de pessoas que se aposenta ultrapassa em cerca de 10 mil cabeças o de jovens que entram no mercado de trabalho - o que acaba gerando uma demanda por novos trabalhadores.Para completar, a alta qualificação da mão-de-obra a torna mais dinâmica e flexível para se adaptar a mudanças de emprego.Esses fatores explicam por que 30% dos trabalhadores dinamarqueses mudam de trabalho antes de completar um ano no posto.O dinamismo do mercado dinamarquês se expressa no irrisório índice de 3,3% de desemprego, o mais baixo dos últimos 11 anos.Outro aspecto importante é a representatividade dos sindicatos. Dados postados pela própria LO em sua página indicam que mais de 80% da mão-de-obra dinamarquesa está sindicalizada.Como no Brasil, a Dinamarca também tem três centrais sindicais, mas, em vez de competir entre si pelo mesmo trabalhador - ou pelo menos do sindicato que o representa -, elas atuam em áreas diferentes.À LO, maior delas, estão filiados 1 milhão de trabalhadores - um quinto da população da Dinamarca - que realizam ofícios não-qualificados ou que requerem pouca qualificação.A central é composta de apenas 17 sindicatos, e mantém uma extensa rede de contatos internacionais. No Brasil, a LO é mais próxima à CUT - por "afinidade de idéias", segundo Nielsen - e, portanto, ao PT.A segunda maior central sindical da Dinamarca, com 400 mil afiliados, reúne os profissionais liberais qualificados.A terceira e menor central é a dos acadêmicos.É difícil avaliar em que medida a visita de Lula à LO resultará em algo concreto. O presidente deve ressaltar a importância da cooperação da central com outras organizações latino-americanas para realizar estudos na área.Mas talvez a visita do presidente se limite a reviver a memória de 1991, quando o próprio PT enviou à LO na Dinamarca o seu então candidato derrotado à Presidência, Lula."Seria estranho ele vir ao nosso país como presidente e não voltar aqui", diz Nielsen.Lula também incluiu nesta viagem aos países nórdicos uma viagem ao sueco IF Metall, onde esteve na década de 80 como sindicalista.Segundo a assessoria de imprensa do IF Metall, o sindicato ainda mantém cooperação estreita com outras organizações no Brasil, através de programas de treinamento de mão-de-obra.A entidade afirmou que esta é uma relação natural, já que quase 200 empresas suecas estão instaladas no Brasil.* Colaborou Cláudia Varejão Wallin, de Estocolmo (Suécia)BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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