Na disputa por ativos como Walmart, Advent tem R$ 10 bi para investir no País

Enquanto rivais fecharam os escritórios no País, fundo americano de participação em empresas viveu um dos melhores anos da sua história, ao embolsar R$ 4 bi com vendas de negócios e, na outra ponta, investir R$ 1,6 bi em empresas com potencial de crescimento

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

19 Março 2018 | 05h00

Em um período marcado por recessão e em que parte dos seus pares chegou a deixar o País, o fundo de private equity Advent registrou no ano passado um dos melhores desempenhos de sua história. A gestora americana, que compra participações em empresas para revendê-las com lucro, embolsou R$ 4 bilhões ao se desfazer de negócios dos quais era sócia, como o terminal portuário TCP, em Paranaguá (PR), e sua fatia no laboratório Fleury. 

Na outra ponta, investiu R$ 1,6 bilhão em empresas com potencial de expansão. E mantém o apetite em alta: segundo fontes, o fundo está na briga pela operação da rede de supermercados Walmart no País e não desistiu da Via Varejo, divisão de eletroeletrônicos do Grupo Pão de Açúcar. O fundo também não descarta ativos em concessão de rodovias.

Enquanto fundos como o americano Texas Pacific Group (TPG) e o britânico 3i fecharam os escritórios no País, o Advent investiu cerca de R$ 600 milhões para arrematar uma fatia de 10,4% no grupo de educação Estácio, que teve a fusão com a Kroton barrada. O objetivo é repetir o feito da Kroton, antigo investimento do fundo que se transformou no líder do setor.

Para investir, o bolso é fundo. O Advent tem cerca de R$ 10 bilhões em caixa, apurou o Estado. Parte desses recursos foi já captada para aporte direto no Brasil e outra vem do fundo global, que pode ser direcionado para países da América Latina. 

Durante a crise, ativos de infraestrutura, educação, saúde e operações financeiras foram os que mais tiveram aportes de investidores, diz Clóvis Meurer, da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). Aos poucos, com a recuperação da economia e a melhora do consumo as empresas de varejo voltam ao radar dos investidores.

No caso da Walmart, as conversas entre Advent e a gigante americana começaram há mais de seis meses. A rede busca um sócio minoritário para reerguer sua subsidiária brasileira, que vem acumulando resultados negativos nos últimos anos. Além do Advent, outros fundos estão avaliando o negócio. Na Via Varejo, a gestora avalia se volta a olhar o negócio. A C&A foi oferecida ao fundo, segundo fontes, mas o Advent não quis. Procurados, Walmart, Advent e Via Varejo não comentam. 

Mais conteúdo sobre:
Adventinvestimento estrangeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.