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NA ERA DIGITAL, FOTÓGRAFOS RECRIAM OFÍCIO

Em um mar de selfies, ainda há espaço para a arte com tecnologia e sorrisos a R$ 1,99

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2014 | 02h04

Com a popularização das câmeras digitais, profissionais da fotografia precisam buscar novos caminhos e reinventar a profissão. Enquanto as câmeras fotográficas ficam cada vez mais baratas e potentes, o mercado para profissionais fotográficos encolhe e as redes sociais são inundadas de selfies.

Para sobreviver, fotógrafos procuram saídas tanto pelo lado da tecnologia de impressão quanto pela oferta de imagens em grande quantidade a preços baratos oferecidos ao mercado via comércio eletrônico.

Apaixonado por fotografia desde os sete anos de idade, o empresário Edyr Sabino, de 57 anos, dono de uma empresa de comércio eletrônico de equipamentos médicos, resolveu mudar de ramo e entrar no mercado de fotografia, mesmo sabendo dos riscos da concorrência na chamada era da imagem e da proliferação dos celulares com câmeras.

Ele criou um personagem, em homenagem aos antigos fotógrafos que trabalhavam em praças públicas nos tempos em que as câmeras eram reservadas a poucos. Com uma dentadura postiça de brinquedo, ele arranca sorrisos das pessoas nas ruas e registra imagens que vende a R$ 1,99 em seu site, o lambelambe.com.

"O sorriso transforma as pessoas, mexe com os músculos da face e brota nos olhos", filosofa. Na bolsa à tira colo e na câmera Nikon ele instalou letreiros eletrônicos que divulgam seu site. Entre uma foto e outra, distribui cartões e adesivos que informam aos potenciais clientes onde eles podem encontrar as fotos e encomendar ampliações.

"Meu sonho é montar uma empresa que empregue centenas de fotógrafos lambe-lambe caracterizados com a dentadura postiça para vender sorrisos a R$ 1,99", diz Sabino, que tenta conseguir patrocinadores para o site que recebe em média 3 milhões de visitas por mês. Formado em física e engenharia biomédica e com doutorado em física médica na Inglaterra, o empresário tenta vender sua empresa, que fatura cerca de R$ 2 milhões anuais, para dedicar-se integralmente à profissão de lambe-lambe da era digital.

Arte. No extremo oposto do mercado, o fotógrafo Renatto de Souza, com experiência de três décadas em fotojornalismo, abriu na noite de quarta-feira, 24, uma loja especializada em fotografias ampliadas em grandes dimensões que vende por até R$ 5 mil.

A galeria, instalada no térreo do edifício Copan, ícone arquitetônico no centro de São Paulo, é especializada em fotos da cidade. As imagens são de prédios como Edifício Altino Arantes, antiga sede do Banespa, do próprio Copan e de outros pontos turísticos.

As fotos são impressas em papel fotográfico metálico da Kodak com base de poliéster e garantia de 200 anos, ou em papel de algodão que imita telas de pintura a óleo, metacrilato e padrão museu, em edições limitadas, numeradas e assinadas. As impressões são em 11 cores, com tinta mineralizada.

"A fotografia virou commodity, matéria prima disponível em larga escala nas redes sociais", comenta o fotógrafo. "A saída que encontrei foi revalorizar as boas imagens com os mais sofisticados recursos tecnológicos, uma forma de destacar o valor artístico da fotografia, que ainda é capaz de encantar." / CLEY SCHOLZ

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