Na Europa, brasileiros convivem com incertezas na reabertura

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Na Europa, brasileiros convivem com incertezas na reabertura

Rainha de bateria teme pela volta às aulas em Milão

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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11 de setembro de 2020 | 00h00

Estava tudo pronto. O casamento civil do ator Thiago Ciccarino, que vive há 1 ano e meio em Turim, norte da Itália, estava marcado para o dia 9 de março de 2020, uma segunda-feira aparentemente normal. O dia, entretanto, entrou para a história. “Às 8h, recebemos um telefonema adiando [a cerimônia] e avisando que não tinham nenhuma previsão de retorno [das atividades]”, lembra o ator. Naquela segunda-feira de março, por decreto das autoridades italianas, todo o país havia entrado em lockdown.

Só em maio, quando o confinamento deixou de ser obrigatório e alguns serviços públicos voltaram a funcionar, ele conseguiu remarcar a data de sua união com a ucraniana Yana Semydotska, mas com a condição de que não houvesse convidados — e, claro, que os dois estivessem de máscara. “Foi uma cerimônia diferente, mas pelo menos conseguimos realizá-la. Combinamos que um dia faremos uma festinha com amigos e família, para comemorar, mas acho que vai demorar um pouquinho ainda para isso acontecer.”

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Thiago, que já atuou no teatro, no cinema e em novelas da TV Globo, Record e SBT, perdeu vários trabalhos já agendados por causa da pandemia. “Tentei focar minhas energias em alguns textos que estava escrevendo antes, talvez saia alguma coisa interessante.”

O ator perdeu alguns colegas queridos por causa da covid-19. Atualmente, segundo ele, chama a atenção a quantidade de pessoas que se recuperam ou vêm passando por depressão e crise de ansiedade.

Moradora de Barcelona, a jornalista Daniela Ortega afirma que desde o início da pandemia tomou todos os cuidados possíveis e não mantinha contato com ninguém de fora, para evitar contágio. “Eu tinha preocupação. Pensava que seria péssimo ficar doente sozinha na Europa.”

Ela relata que, assim como no Brasil, houve muito descaso com o vírus. “Na época do confinamento, [os espanhóis] seguiam mais [as regras impostas pelo governo], até por causa das multas por descumprimento. Ainda assim, foram aplicadas mais de 100 mil multas e centenas de pessoas foram presas”, explica. “Sempre tem muita gente com a máscara no queixo ou com o nariz descoberto. Como se fossem seres especiais a quem as regras não se aplicam.”

Para a estudante Letícia De Maio, que passou o período de pandemia em Lisboa, Portugal, o principal desafio foi manter os estudos de forma online. “O ensino a distância foi bem desanimador para mim. Eu curso Arte Multimídia, e adequar o ensino artístico ao isolamento social é bastante difícil.” Com o passar dos dias e o dramático contraste entre ruas vazias, como se todo dia fosse domingo, e hospitais cheios, os alunos foram se adaptando. Mesmo em condições adversas, diz ela, todos passaram a “tirar fertilidade” dos espaços onde estavam confinados para estudar e criar.

Incertezas atuais

Assim como no Brasil, o grande dilema de vários países na Europa é a volta às aulas presenciais. Essa é a principal preocupação para Quitéria Chagas, psicóloga e rainha da escola de samba Império Serrano. Ela tem uma filha de 5 anos, Elena, e mora em Milão, na Itália — onde o retorno às atividades escolares deve ocorrer agora em setembro. “Estou bem preocupada, não sei como vai ser. Sabemos que é uma doença que contamina as crianças e que elas transmitem para os adultos. E agora dizem que a doença já se modificou. Está tudo muito estranho. Vamos ver com essa reabertura das escolas o que vai acontecer”, diz Quitéria.

A celebrada sambista, que brilhou na Marquês de Sapucaí no carnaval deste ano, pouco antes do início da pandemia na Europa, também compartilha sua apreensão sobre uma possível volta do lockdown na Itália, uma vez que o número de novos casos vem aumentando, com mais de 1.000 por dia.

“Esse é meu receio, porque, se os casos sobem e se as mortes sobem, eles vão fazer novamente. Eu acho que a saída de casa para as ruas, depois do lockdown, foi um erro, da forma que fizeram.” Quitéria cita como exemplo a reabertura das boates, que causou uma série de aglomerações por todo o país, e destaca o cansaço mental causado por toda essa situação.

“A doença maior, além da saúde física, é a psíquica. Está todo mundo acabado, exaurido. Depois do lockdown, quando ‘abriram as porteiras’, as pessoas ficaram loucas. Está todo mundo se aglomerando, o pessoal quer esquecer, não quer mais saber de covid, de vacina, de nada, não quer mais saber do assunto. Preferem espairecer e, se tiverem que morrer, vão morrer, e pronto.”

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