Na Europa, pizza napolitana ganha selo de garantia

A decisão foi anunciada ontem por Bruxelas após mais de 28 anos de lobby por parte dos italianos

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

10 de dezembro de 2009 | 16h51

Uma lei da União Europeia passa a regulamentar como a verdadeira pizza napolitana precisa ser feita. A decisão foi anunciada ontem por Bruxelas, depois de mais de 28 anos de lobby por parte dos italianos para que sua pizza fosse protegida por lei. A UE estabeleceu um selo para o produto, estipulando até mesmo quantos centímetros a borda da pizza deve ter. A meta da lei é a de evitar a falsificação e "imitações baratas".

 

A Garantia de Especialidade Tradicional foi dada à pizza depois de um longo debate, e faz parte de uma onda de medidas tomadas pela Europa para proteger seus produtos. Outro alimento já certificado foi o queijo mussarela, além do presunto de Parma.

 

Pelas regras do certificado, uma verdadeira pizza napolitana precisa ter um diâmetro de no máximo 35 centímetros e de um a dois centímetros de altura. A base da pizza deve ser feita de tomate sem cascas, mussarela de búfala de Campania, alho, óleo de oliva e basílico.

 

Outras pizzas também já estão na lista de avaliação: a margherita e a marinara. Já o espaguete é um prato chinês, supostamente levado aos italianos por Marco Polo.

 

Agora, qualquer pizzaria que ofereça pizza napolitana falsa pode ser até mesmo multada, ainda que a UE não tenha ideia sobre como fará para cobrar a multa. Pizzas congeladas vendidas nos supermercados não poderão ser chamadas de napolitana.

 

A regra europeia é de que, para que um produto ganhe o selo de proteção, os produtores precisam provar que é feito com ingredientes tradicionais ou fabricada por um processo que apenas existe em uma região. Se a história da pizza está intimamente ligada aos símbolos italianos, o tomate é um produto importado das Américas e o pão usado é uma cópia dos pães árabes.

 

Da forma que se consome hoje, a pizza existe desde o século XVIII. Mas foi a partir dos anos 1950 que o número de pizzarias explodiu pelo mundo. Só na Itália são mais de 35 milhões de pizzas consumidas por semana.

 

Protecionismo

 

Para a Europa, a decisão de proteger a pizza faz a parte de uma estratégia para garantir que seus produtos tradicionais não passem a ser copiados em todo o mundo.

 

Mas as medidas, segundo alguns, estão sendo exageradas. No ano passado, a câmara de vereadores de uma cidade italiana proibiu a abertura de novas lanchonetes e restaurantes para a venda de comidas turcas, árabes e chinesas.

 

A primeira cidade a adotar algum tipo de restrição para a abertura de lanchonetes de comidas étnicas foi Lucca. O objetivo era o de incentivar italianos a comerem comida italiana. Na Itália, o partido de extrema-direita Liga Norte defendeu a ideia como uma forma de "proteger especialistas locais contra o crescimento da comida étnica".

 

Na Lombardia e em outras regiões do país, a ideia também ganha adeptos. Em Milão, a restrição também passará a vigorar. Em um ano, o número de restaurantes de comidas não italianas aumentou em 30%, chegando a 668 na cidade.

 

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