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Na Europa, temor de atentado afeta ações de hotéis e de aéreas

O medo do terrorismo está afetando as ações das empresas do setor de turismo. Nos últimos dias, ações de algumas grandes companhias aéreas europeias e de redes de hotéis chegam a amargar perdas que se aproximam de 10%. O drama do setor pode ser visto na ocupação dos hotéis em Paris, onde quatro a cada dez reservas foi cancelada nos dias seguintes aos atentados e mais da metade dos quartos na cidade passou o início da semana passada sem hóspedes.

Fernando Nakagawa, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 02h06

As perdas do setor de turismo são lideradas pelas companhias aéreas. Além do temor crescente sobre o terrorismo entre os passageiros, o governo dos Estados Unidos reforçou o tom de cautela ao emitir um alerta sobre o risco de novos atentados. Essas notícias prejudicaram todo o setor.

Na Europa, a companhia de baixo custo EasyJet lidera as perdas e viu o valor das ações cair 8,3% da véspera dos atentados ao fechamento do pregão da última terça-feira. A empresa britânica opera nos dois principais aeroportos de Paris - Charles de Gaulle e Orly - e voa para dezenas de cidades na Europa e alguns destinos no Oriente Médio e no norte da África.

Um desses locais atendidos pela EasyJet é o balneário de Sharm el-Sheikh, no Egito, terminal de onde saiu o avião da russa MetroJet que foi derrubado por uma bomba e matou mais de 200 pessoas no fim de outubro. O problema no aeroporto fez companhias como a EasyJet cancelarem todos os voos para o destino até janeiro de 2016. O mesmo problema atinge a inglesa British Airways, controlada pela holding IAG, cujas ações caíram 5,3% no mesmo período.

Crise. Nos hotéis, acontece o mesmo fenômeno. O grupo francês Accor, dono de marcas como Ibis, Mercure e Sofitel, amargou perdas de 6,3% no período de poucos dias. A britânica InterContinental, que opera Holiday Inn, Crowne Plaza e InterContinental, caiu 4,7%.

A queda dos papéis reflete uma crise nos hotéis. Pesquisa da consultoria em hotelaria MKG Hospitality mostra que a ocupação dos empreendimentos na região de Paris chegou a cair 29 pontos porcentuais dias após os atentados. No dia dos ataques, 81,9% dos quartos em Paris tinham hóspedes. No dia seguinte, a taxa de ocupação caiu para 76%. Uma onda de cancelamentos aconteceu no domingo e naquela noite o uso dos quartos despencou para 45,9%.

"O turismo estava chegando ao fim do ano ainda com o impacto negativo dos ataques terroristas de janeiro (que atingiram o jornal Charlie Hebdo e um mercado judaico). Agora, temos outro duro golpe contra o setor", lamenta o presidente da MKG Hospitality, Georges Panayotis. Para o analista, a ocupação deve voltar a crescer nos próximos dias com a chegada das delegações que participarão da Conferência do Clima, a COP21, mas podem ficar vazios depois do evento.

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