Na expectativa de pacote nos EUA, Bovespa sobe 4%

Desempenho seguiu a alta das bolsas em NY. Dow Jones opera em alta de 2,58%, às 18h. A Nasdaq sobe 2,65%

Da Redação,

06 de fevereiro de 2009 | 17h59

Os dados ruins sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos teve um efeito inverso sobre as bolsas no mundo todo nesta sexta-feira, 6. Os investidores interpretaram o recorde de vagas fechadas na economia norte-americana como um bom motivo para que o plano de ajuda à economia dos EUA seja aprovado.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   No encerramento dos negócios, o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - fechou em alta de 4,01%, ao 42.755 pontos. É o quarto pregão consecutivo de alta da Bolsa. O desempenho seguiu a alta das bolsas em Nova York. O índice Dow Jones opera em alta de 2,58%, às 18h. A Nasdaq sobe 2,65%.   A mesma expectativa positiva favorece a queda das cotações da moeda norte-americana no mercado doméstico. O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,2480 - patamar mínimo do dia -, em queda de 1,75%.   No mercado de juros, as taxas devolveram a alta da véspera, quando se antecipou a divulgação de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais "salgado" em janeiro. De fato, o índice, que é usado como referência para a meta de inflação, fechou janeiro em alta de 0,48% e superou o teto das expectativas (+0,47%), porém fundamentalmente por motivos sazonais, e isso não chega a prejudicar o desenho de um cenário benigno para a inflação.   Dados ruins nos EUA   A economia dos EUA perdeu 598 mil postos de trabalho em janeiro, o maior corte de vagas desde dezembro de 1974. Desde que a recessão começou, em dezembro de 2007, foram eliminados 3,6 milhões de empregos. Um ponto que chama atenção do relatório é a revisão dos dados de 2008, que levou a um total de 2,974 milhões de empregos cortados no ano passado, número 385 mil maior do que os dados originais.   A taxa de desemprego, por sua vez, subiu para 7,6%, o maior nível desde setembro de 1992. Economistas esperavam corte de 525 mil vagas em janeiro e taxa de desemprego de 7,5%.   Os números devem acelerar a aprovação do pacote de estímulo fiscal no Congresso dos EUA. Também é esperado o anúncio, na segunda-feira, de um plano de resgate do setor financeiro, pelo secretário de Tesouro, Timothy Geithner.   Segundo o Wall Street Journal, o plano de ajuda aos bancos está se moldando para incluir injeções de capital com termos mais rígidos que na primeira rodada e a expansão de uma linha de crédito do Federal Reserve, a Linha de Empréstimos de Títulos Lastreados em Ativos a Termo (Talf, na sigla em inglês), que poderá potencialmente comprar ativos tóxicos que entopem o sistema.   O Talf foi criado em novembro passado para impulsionar o mercado de crédito ao consumidor e estende até US$ 200 bilhões em empréstimos aos investidores que compram títulos lastreados por empréstimos estudantis, empréstimos para aquisição de automóveis, dívida de cartão de crédito e dívida de pequenas empresas.   De acordo com as fontes do WSJ, os esforços para criar o chamado "banco ruim" para comprar ativos problemáticos e para assegurar outros ativos contra futuras perdas parecem mais distantes do pensamento do governo. Mas alguns membros da administração continuam pressionando para que eles sejam incluídos no plano.   Pacote   Em Washington, 12 senadores moderados, de ambos os partidos, estão sugerindo um plano para diminuir o custo total do pacote de recuperação econômica para cerca de US$ 800 bilhões e colocar mais ênfase nos cortes de impostos.   Liderado pela senadora republicana Susan Collins e pelo democrata Ben Nelson, o grupo analisou o projeto em busca de gastos com pouca possibilidade de causar um impacto econômico imediato.   O líder da maioria, o senador democrata Harry Reid, sugeriu ontem à noite que as negociações em torno do que ele descreveu como "a grande emenda", para reduzir e reestruturar o plano, poderiam abrir caminho para a votação final do pacote como um todo.

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