Na expectativa do pacote, Bovespa fecha em alta de 0,52%

Votação de novo pacote de resgate no Senado dos Estados Unidos começará por volta das 20h30 desta quarta

Da Redação,

01 Outubro 2008 | 17h25

O pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já terminou, mas os investidores continuarão atentos ao resultado da votação do plano de ajuda ao mercado financeiro nos EUA nesta quarta-feira, por volta das 20h30 (horário de Brasília). No final do dia, a Bolsa fechou em alta de 0,52%. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,84%, cotado a R$ 1,9180. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,18% e a Nasdaq recuou 1,07%.   Veja também: Crédito para exportador cai pela metade após piora da crise Votação do pacote no Senado dos EUA deve ocorrer após 20h30 Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira Veja os principais pontos do pacote dos EUA  Entenda a crise nos EUA  Entenda o que acontece com o fracasso do pacote    Depois de a Câmara dos Representantes ter rejeitado o projeto de lei, o Senado dos EUA modificou o texto, incluindo algumas medidas que poderão atrair o apoio dos eleitores norte-americanos. A Casa Branca considera que as mudanças feitas no plano aumentam as chances de aprovação, não só pelo Senado, hoje, mas também em nova votação da Câmara.   A primeira destas medidas é o aumento do valor dos depósitos garantidos - de US$ 100 mil para US$ 250 mil. O objetivo é aumentar a confiança - ou diminuir a desconfiança - na solidez dos bancos americanos, que ficariam menos expostos ao risco de uma "corrida" de correntistas. Para que este limite de garantia seja ampliado, o projeto de socorro aos mercados financeiros do Senado dos EUA vai permitir temporariamente que a agência federal que garante os depósitos bancários norte-americanos, a FDIC (Federal Deposit Insurance Corp), tome empréstimos sem limites de valor do Departamento do Tesouro, informou o The Wall Street Journal. Isto é importante porque vai aumentar amplamente o poder da FDIC para garantir que os depositantes possam ter seu dinheiro de volta se seus bancos falirem.   Outra medida é a ampliação do prazo para a "marcação a mercado". Isso significa que os gestores de investimentos teriam mais tempo para ajustar o valor dos ativos que compõem a carteira de aplicações. Desta forma, a forte oscilação que tem tomado conta dos mercados seria amenizada no resultado diário das aplicações, o que também tem o objetivo de diminuir a desconfiança dos americanos em relação aos seus investimentos, evitando a corrida aos bancos. O plano que vai a votação no Senado deve trazer ainda uma proposta de benefício aos desempregados, diz a publicação.   Paralelamente ao plano, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA (HUD) lançou o programa "Hope for Homeowners", que tem como objetivo refinanciar as hipotecas de mutuários que passam por dificuldades para concluir os pagamentos. O programa começa a funcionar hoje e terá duração de três anos. Medidas   No Brasil, o governo Lula descarta que um pacote seja necessário para combater os reflexos da crise americana sobre a economia brasileira, mas já estuda medidas para garantir a oferta de crédito no mercado, principalmente para os exportadores. Durante a reunião de coordenação política, o presidente pediu empenho dos ministros para a formulação de medidas com este objetivo.   Na França, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu que os líderes do G-8 se reúnam nos próximos dias para discutir o aprofundamento da crise financeira global, disse o porta-voz do governo francês, Luc Chatel. A França atualmente ocupa a presidência rotatória da União Européia.   O encontro envolveria autoridades econômicas. A data e local do encontro não estão definidos, mas neste final de semana está agendado um encontro em Paris, preparatório da reunião regular do G-7 de outubro em Washington. Para esta reunião preparatória do fim de semana não está prevista a presença de autoridades econômicas.   "O presidente fez contato com alguns de seus colegas europeus e internacionais. Seu objetivo é manter conversações com os diferentes membros do G-8, que podem se reunir nos próximos dias", afirmou Chatel. Ele também afirmou que o local e data do encontro ainda serão definidos.   Chatel afirmou que no encontro estariam presentes autoridades responsáveis pela economia, assim como o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o presidente do Eurogroup, Jean-Claude Juncker. O Eurogroup é composto por países que utilizam o euro como moeda.   Uma das idéias que circulam como uma resposta européia à crise veio do presidente da Comissão Européia, Jose Manuel Barroso, indicando que a União Européia precisa reorganizar seu sistema de garantia de depósitos bancários para ganhar mais consistência nas 27 Nações do bloco. Atualmente, os planos de garantir depósitos são administrados pelas agências nacionais e por leis que variam em sua aplicação e na proteção de poupança.

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