REUTERS/Amanda Perobelli
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Na Fiesp, Guedes agrada por tom otimista com reformas

Sobre a abertura comercial, tema delicado para alguns empresários, Guedes prometeu que o processo será feito gradualmente para que a indústria não seja destruída pela concorrência internacional

André Ítalo Rocha e Bárbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2019 | 18h05

Depois de semanas de ruídos envolvendo a articulação política do governo, que colocaram em dúvida o sucesso da reforma da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, teve nesta quinta-feira, 23, a sua primeira reunião com representantes do setor produtivo em São Paulo, na qual buscou reforçar o compromisso com a agenda econômica. O encontro que ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Logo de início, Guedes explicou que tem vindo pouco a São Paulo porque está muito concentrado na aprovação da reforma da Previdência, que exige dele mais tempo em Brasília, onde pode se reunir com os parlamentares. Ao longo de sua apresentação, disse que medidas de curto prazo para estimular a economia serão tomadas após a aprovação da proposta. Também ressaltou que não quer destruir a indústria por meio da abertura comercial, que será gradual.

Segundo um dos empresários que participaram da reunião, que considerou positivas as sinalizações do ministro, Guedes também comentou a reforma tributária e se mostrou "feliz" com o fato de o Congresso estar tocando a proposta assinada pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP) e elaborada pelo tributarista Bernard Appy. "Para ele, isso mostra que o Congresso está disposto a fazer uma reforma tributária", afirmou o empresário. Guedes, contudo, reafirmou que o poder Executivo vai mandar uma proposta para unificar os impostos federais, num complemento à reforma de Rossi.

Guedes reafirmou a estimativa de arrecadar R$ 20 bilhões com as privatizações e disse que "40% ou 50%" delas já estão bem encaminhadas. "Foi encorajador", disse um outro participante.

O ministro não chegou a discorrer sobre as turbulências políticas das últimas semanas, mas, genericamente, buscou tranquilizar os participantes afirmando que os ruídos políticos são derivados de uma "nova atitude de governo". "O Congresso vai fazer o que é necessário", disse, segundo o participante.

De acordo com um outro empresário que participou da reunião, Guedes afirmou que mantém uma "sintonia muito grande " com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A abertura comercial, um tema delicado para os industriais, também foi discutida na reunião e Guedes ressaltou que o processo será feito gradualmente para que a indústria não seja destruída pela concorrência internacional. "Ele mostrou que é sensível à competitividade da indústria brasileira", disse o vice-presidente da Ford para a América do Sul, Rogelio Golfarb.

Para o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, a reunião foi positiva e lhe agradou ter ouvido de Guedes a intenção de reduzir o spread bancário e fazer a abertura comercial com gradualidade. "A abertura vai acontecer, é necessária, mas não é urgente, tem de ser feita com método e estratégia", disse.

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