Na Grécia, partido conservador lidera após atualização de boca de urna

Resultado da eleição grega por acelerar a crise que vem colocando em xeque o euro 

Renan Carreira, da Agência Estado,

17 de junho de 2012 | 13h25

 

Texto atualizado às 15h05

ATENAS - Uma atualização da pesquisa de boca de urna divulgada logo após o fim da votação neste domingo na Grécia mostra o partido conservador Nova Democracia à frente da coalizão de esquerda radical Syriza. As medições iniciais indicavam empate técnico entre os dois partidos.

De acordo com os dados atualizados, o Nova Democracia terá entre 28,6% e 30% dos votos, seguido pelo Syriza, com 27,5% a 28,4%. O Partido Socialista (Pasok) aparece em terceiro lugar na pesquisa de boca-de-urna, com 11 a 12,4% dos votos, enquanto a esquerda democrática vem na quarta colocação, com 5,8% a 6,6%.

Com base nessas projeções, se confirmada a dianteira do Nova Democracia, o partido ficaria com 127 cadeiras no Parlamento. O Syriza, por sua vez, elegeria 72 deputados e a bancada do Pasok somaria 32 cadeiras. Ainda segundo esses números, uma eventual coalizão entre Nova Democracia e Pasok comandaria 159 das 300 cadeiras do Parlamento.

A Grécia realiza eleições hoje um mês e 11 dias após o primeiro pleito ao Parlamento resultar em um impasse. Os eleitores enfrentam a escolha entre duas visões sobre como o país deve confrontar um duro programa de austeridade requerido pelos europeus e pelos credores internacionais em troca de ajuda. De um lado, o Nova Democracia, de Antonis Samaras, a favor do segundo pacote internacional de socorro ao país e suas medidas de austeridades; de outro, a Coalizão de Esquerda Radical (Syriza), de Alexis Tsipras.

Todas as atenções se voltam para o programa radical do líder de esquerda. Isso porque seu programa se baseia em medidas que assustam a Europa: declarar nulo - ou pelo menos renegociar - o último programa de socorro de 130 bilhões, concedido pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI); acabar com as demissões no setor público; anular a medida que reduziu o salário mínimo de 700 para 480; restabelecer os direitos trabalhistas extintos com as medidas de austeridade; e anular as dívidas de famílias em risco de falência.

Nos últimos dois meses, líderes europeus como Angela Merkel, chanceler da Alemanha, e o presidente da França, François Hollande, advertiram que, caso essas decisões sejam adotadas, a Grécia pode ser expulsa da zona do euro. Essa perspectiva apavora os mercados na Europa, porque geraria um calote de pagamentos histórico, superior a € 200 bilhões, e arrasaria o sistema financeiro do país. Assim, contagiaria bancos de todo o bloco, em especial de França e Alemanha, que juntos têm 57,8 bilhões em títulos da dívida grega.

O eventual rompimento do acordo colocaria a União Europeia frente à decisão de manter ou desligar os aparelhos que unem a Grécia à zona do euro. Líderes de países como Alemanha, Holanda e Áustria já defenderam essa solução. O problema é que ninguém sabe o custo dessa iniciativa, que alguns analistas de mercado estimam em mais de 1 trilhão - ou quatro vezes o valor total da dívida grega.

(Com informações da Dow Jones e de O Estado de S.Paulo)

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