Na Índia, Lula defende união mundial contra crise financeira

Presidente diz ser inaceitável países mais pobres pagarem por irresponsabilidade dos desenvolvidos

Tania Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

15 de outubro de 2008 | 07h16

Durante a reunião de abertura da 3ª Cúpula do Ibas, grupo que reúne Brasil, Índia e África do Sul, em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a necessidade de união entre os países para facilitar a "construção de uma nova arquitetura internacional cada vez mais necessária neste momento de incertezas".   Para Lula, "é inadmissível que venhamos a pagar pela irresponsabilidade de especuladores que transformaram o mundo em um gigantesco cassino ao mesmo tempo em que nos prodigavam lições sobre como deveríamos governar nossos países". E emendou se não quisermos ser arrastados por esta crise não são suficientes medidas isoladas para resguardar nossos interesses nacionais.   Ao ressalvar que "corremos o risco de sermos vítimas de uma crise financeira gerada nos países ricos", o presidente completou dizendo que "isto não é justo porque esses países "reconstruíram suas economias com grande esforço" e por isso vivem uma fase excepcional de expansão e de equilíbrio macroeconômico.   Ao insistir na necessidade de que os países tomem decisões conjuntas, Lula reiterou que precisamos nos fazer ouvir coletivamente nas discussões e nas tomadas de decisões sobre assuntos com impacto global. Segundo Lula, isso vale não só para temas econômicos e financeiros, mas também para questões como aquecimento global e na formulação de respostas a insegurança alimentar e energética.   De acordo com o presidente, é preciso entender a sugestão do presidente da França, Nicholas Sarkozy, e do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, "para que nossos países participem mais diretamente na coordenação internacional para enfrentar a crise financeira".   Lula encerrou o discurso dizendo que "o Ibas seja uma luz na escuridão de incertezas econômicas do mundo". Na mesma reunião o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, também defendeu as reformas de instituições financeiras no mundo. Ele defendeu também que se chegue ao final da rodada Doha para que haja crescimento e inclusão social.

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