Na melhor semana do ano, Bovespa tem ganho de 7,7%

Cenário:

ALESSANDRA TARABORELLI, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2011 | 03h06

Se na quinta-feira o mercado festejou o acordo da União Europeia para conter a crise na zona do euro sem se importar com a falta de detalhes, ontem foi justamente o que pegou, levando os investidores ao redor do mundo a assumirem posição defensiva. Embora considerem que o pacote é um passo importante para solucionar o problema da crise do euro, pairam dúvidas quanto a sua eficácia para controlar o contágio na região e evitar o problemas das dívidas. O prêmio elevado pago pela Itália para vender bônus, no leilão realizado ontem, despertou o mercado para a difícil realidade, bem como o comentário da Fitch sobre o futuro do rating da Grécia. Assim, as bolsas internacionais passaram por uma correção moderada de preços, o que não chegou a ofuscar a Bovespa, que teve a sua melhor semana do ano. Com a alta de 0,41%, aos 59.513,13 pontos, registrada ontem pela Bolsa brasileira, o ganho semanal atingiu 7,71%, elevando para 13,7% a valorização em outubro. Esse bom desempenho no mês é comemorado pelos investidores, pois a Bolsa vem "tomando um baile" há muito tempo. No ano, o Ibovespa está negativo em 14,13%.

Nos EUA, os índices acionários também tiveram uma semana positiva. O Nasdaq e o S&P 500 avançaram 3,78%, enquanto o Dow Jones subiu 3,58%.

Pressionado por fatores técnicos específicos, o dólar à vista operou descasado do exterior e caiu pela terceira sessão consecutiva, ontem, ficando abaixo de R$ 1,70. A moeda no balcão desceu a R$ 1,680 (-1,41%), com perda acumulada na semana de 5,62%. Em outubro, o dólar já mostra desvalorização ante o real de 10,64%.

A correção dos ativos após a euforia de quinta-feira e a continuidade da queda do dólar em relação ao real favorecem, momentaneamente, o quadro inflacionário doméstico, provocando a devolução de prêmios ao longo de toda a curva a termo de juros futuros. Além disso, em um dia de agenda esvaziada, mas com o IGP-M da Fundação Getúlio Vargas mostrando desaceleração, o mercado de juros voltou ontem a se concentrar na calibragem das apostas para o tamanho do ciclo de afrouxamento monetário. As taxas futuras não escaparam de um ajuste negativo, ainda que discreto, e a surpresa do dia veio após o fechamento dos negócios. O governo anunciou a redução da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico ( Cide) sobre a gasolina e o óleo diesel com a finalidade de deter possíveis pressões inflacionárias vindas de reajustes de combustíveis.

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