Na mesa: o BC deveria participar da definição da meta?

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Sonia Racy, sonia.racy@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2025 | 00h00

Sai amanhã a Ata do Copom. A grande dúvida: o BC vai tocar no tema da meta de inflação para 2009, que é de 4,5%, mas pode ser flexibilizada para baixo? Ninguém arrisca uma previsão. Mas esta confusão em torno da meta continua a repercutir entre os analistas. Ontem, em sua análise na Carta Política, da Consultoria Tendências, o economista José Márcio Camargo levantou questão que merece debate. No seu ver, o presidente do BC, por ser o responsável pelo cumprimento da meta de inflação, não deveria participar de sua definição. A decisão, por afetar diretamente o bem-estar da sociedade, tem de ser responsabilidade do poder politicamente eleito. A participação do BC deveria ser, no máximo, de aconselhamento, de preferência por meio de um documento escrito, no qual apresentaria as opções, com custos e benefícios de cada uma para a sociedade. ''''Definida a meta, aí sim o BC entraria em cena, com garantia de autonomia técnica para executar a política adequada para atingi-la'''', ressalta Camargo.Hoje, no Brasil, a meta é definida pelo CMN, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do BC. Há três objeções a serem feitas, segundo Camargo. Primeiro. Nenhum deles foi diretamente eleito, o que significa que o presidente está delegando um poder que é seu. ''''Ao fazer isso, ele se isenta, pelo menos diretamente, da escolha feita.'''' Segundo. Há aí um conflito de interesses, uma vez que o responsável pelo cumprimento da meta, no caso o presidente do BC, é um dos responsáveis pela sua escolha. Terceiro. ''''E no caso de o presidente do BC ser voto vencido na decisão? Não se poderia considerar como quebra de autonomia?'''' No seu ver, a confusão gerada pela última decisão do CMN mostra que esses problemas podem acabar gerando ruídos desnecessários, colocando em jogo a solidez do próprio sistema.''''A beleza do sistema de metas está no papel das expectativas e, conseqüentemente, na capacidade da autoridade monetária de definir claramente seus objetivos e torná-los críveis para os agentes econômicos. Sem isto, o sistema perde totalmente seu glamour'''', sentencia o economista.IMPRESSÃO DIGITAL O Cofiex reúne-se na próxima terça-feira para analisar o pacote de operações externas do Estado de São Paulo, já autorizado pelo Ministério da Fazenda, no valor de R$ 4 bilhões. A informação é do secretário de Fazenda paulista, Mauro Ricardo, que lista os seis projetos que receberão os recursos: Linha 4 e Linha 2 do Metrô; aquisição de 57 trens para Metrô e CPTM; recuperação de estradas vicinais; aquisição de material e sistemas para CPTM; projetos da Linha 5 do Metrô; e projeto Reágua.Os projetos voltam para o Ministério da Fazenda para depois passar pelo Senado. ''''Acredito que até o fim do ano seremos liberados para tocá-los.''''NA FRENTECONVERSA Organizado pelo empresário Jorge Gerdau, o encontro de empresários, ontem, com o ministro Guido Mantega, foi pedido diretamente ao presidente Lula. Que, no meio da crise aérea, solicitou que Mantega os atendesse.Pelo que se apurou, Mantega foi todo ouvidos.NOVES FORAA Secretaria da Fazenda paulista fez cálculos e descobriu que a redução de ICMS para o álcool hidratado, de 25% para 12%, resultou sim em aumento de arrecadação. Mas diminuiu significativamente a arrecadação com gasolina, por conta da substituição, pelo consumidor, de um produto por outro, ainda mais em tempos de carro flex.De 2004 a 2006, no bolo, houve perda de 1,3%.EM TERRAA reunião em torno do Super Simples, que deveria ter ocorrido segunda-feira em Brasília, não aconteceu. Os quatro convidados de fora (os secretários Mauro Ricardo, de São Paulo, Mauro Benevides, do Ceará, Francisco de Almeida e Silva, da cidade do Rio, e Paulo Roberto Ziulkoski, dirigente da Confederação Nacional dos Municípios), que se uniriam a quatro representantes do governo federal, não conseguiram embarcar. O jeito foi fazer uma reunião virtual, aprovando o que já era consenso.A CONFIRMARFontes do setor de energia estimam que o leilão de energia, marcado para amanhã, deve ter uma demanda de 1,2 MW, a maior parte de termoelétricas e outra parte, necessariamente, coberta por fontes alternativas, que sobraram do leilão feito especificamente para este tipo de energia e que não deu certo.Ainda atrapalhando o leilão, segundo as mesmas fontes, está um problema parcialmente resolvido: o das garantias da Petrobrás sobre o gás. No contrato que assinou com a Aneel, a estatal assumiu o compromisso de entrega do combustível, mas não garantiu preço.Calcula-se que, se houver geração a gás no leilão, possivelmente será só de estatais.LUZESPor sinal, pelo que se apurou ontem, os mercados financeiros não querem saber se a popularidade do presidente Lula vai cair ou se os aviões vão decolar. Estão concentrados em saber se o País vai ter energia para crescer. Por enquanto, têm dúvidas.No dia em que não tiverem mais...

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