Webmotors/Divulgação
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Na pandemia, 'troca com troco' volta com tudo no comércio de carros

Plataforma de venda verificou aumento de troca de veículos mais novos por mais antigos, provavelmente para reforçar as finanças com o valor da diferença dos preços

Entrevista com

Eduardo Jurcevic, presidente do Webmotors

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 05h00

Considerado o maior portal de compra e venda de carros no País, o Webmotors observou, durante a pandemia, aumento de consumidores interessados em trocar o carro por outro mais antigo e receber o dinheiro da diferença, talvez por questões de problemas financeiros. O movimento ocorre em meio ao aumento do desemprego e da redução de salários e jornadas.

Atento ao cenário, o portal e seu controlador, o Santander, recauchutaram o antigo sistema de troca com troco. Leia a entrevista com o presidente da plataforma, Eduardo Jurcevic.

Qual a audiência do portal?

Temos, por mês, 12 milhões de usuários que acessam a plataforma, 30 milhões de visitas, pois um usuário normalmente faz várias visitas, e 150 milhões de buscas. Além das pessoas que anunciam, temos 14 mil lojistas cadastrados e estoques de 400 mil veículos.

Esses números foram mantidos durante a pandemia?

Logo no início, na primeira quinzena de março, a audiência caiu 15%. O que mudou radicalmente foi o envio de propostas de compra, ou leads, que caiu 42%. Em abril começou uma recuperação, que ganhou força em maio. Neste mês a audiência melhorou está caindo só 5%. O envio de propostas ainda está 25% menor. Essa queda, porém, é quase toda no envio de leads para pessoas físicas, pois o envio de propostas para lojas está perto do patamar pré-covid.

Qual a razão dessa diferença?

Por algum motivo, as pessoas estão se sentindo mais seguras em negociar com lojas, talvez por questão de segurança ou por ter o car delivery, sistema que criamos entre lojistas. Todo o processo de compra é online, o consumidor pode fazer uma chamada em vídeo pelo WhatsApp e o vendedor vai mostrar todo o carro, e o lojista faz a higienização e entrega na casa do cliente.

O que explica a recuperação nos negócios da plataforma, se há forte queda na venda de carros zero?

Tradicionalmente, 70% das vendas do mercado são de usados e 30% de novos. O impacto foi maior nos novos, pois teve fechamento de fábricas e concessionárias, mas teve também a suspensão dos licenciamentos por parte de vários Detrans. Mesmo que ocorresse a compra, o carro não era registrado.

Com a pandemina, mudou o comportamento do cliente?

Verificamos que as pessoas estão buscando mais carros com dois anos a menos de uso em relação ao que era antes. Há um aquecimento da troca com troco - o consumidor entrega o carro para venda e compra um mais antigo para receber a diferença, talvez por estar apertado financeiramente. Ele também pode trocar por outro mais barato e fazer um refinanciamento mais longo ou com prestações mais baixas.

Como é essa troca?

Antes, a maior parte dos carros à venda era de modelos 2013 a 2015, média que subiu cerca de um ano - ou seja, as pessoas estão anunciando carros com menos anos de uso. Já a procura, antes maior em modelos 2014, 2015 e 2018, agora está mais voltada para modelos 2011, 2013 e 2014. As pessoas vendem o mais novo e compram o mais antigo.

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