Na periferia, musculação por R$ 50 mensais

Academias oferecem pacotes completos a preços populares para atrair cliente da baixa renda

GLAUBER GONÇALVES E NAIANA OSCAR, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

Enquanto as grandes redes de academias se preparam para entrar na periferia, negócios locais já movimentam esse mercado em favelas do País. Em uma das entradas da Rocinha, complexo de favelas mais conhecido do Rio, o prédio de três andares da R1 Fitness chama a atenção. A estrutura, que inclui uma piscina, rivaliza com algumas academias da zona sul, região mais nobre do Rio. A diferença está na mensalidade: entre R$ 50 e R$ 75.

Inaugurada em 2004 com apenas um andar, a academia se expandiu aos poucos e hoje tem 700 alunos. "A demanda superou a expectativa dos sócios", conta Marco Antonio Costa, um dos sócios. Do último andar, equipado com ar-condicionado, pode-se malhar com vista para a Pedra da Gávea, que contrasta com o adensamento da favela.

Subindo um pouco mais a favela, está a academia RPM Fitness, aberta há menos de dois anos. O proprietário, Paulo Manso, não mora na Rocinha, mas decidiu abrir o negócio na comunidade porque o aluguel era mais barato. "O número de alunos varia de mês a mês, entre 80 e 150", conta. Ele e a mulher, ambos formados em Educação Física, tocam juntos a academia, que tem vista para a praia de São Conrado.

Na periferia de São Paulo, as academias também têm se tornado um bom negócio. A rede Dandy está com cinco unidades na zona leste - com média de 900 alunos cada. A mensalidade de R$ 79 dá direito a frequentar as unidades todos os dias e fazer desde musculação a natação e pilates. "A procura é tanta que reduzimos as salas de ginástica para ceder espaço aos equipamentos", conta o dono José Barbagli.

A telefonista Maria José Santos, de 59 anos, faz musculação na Dandy desde o início do ano. A filha dela se ofereceu para pagar as mensalidades. "Nunca tinha entrado num lugar desses antes. Agora não quero mais sair."

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