Na pesquisa Focus, do BC, previsão ainda é de 2,18%

As expectativas para o crescimento da economia brasileira neste ano, principalmente da indústria, seguem em queda diante dos números cada vez mais fracos sobre a atividade no País. Pesquisa semanal do Banco Central divulgada ontem mostrou que os economistas reduziram pela sétima semana consecutiva a estimativa de expansão do Brasil em 2012, para 2,18%.

EDUARDO CUCOLO/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h03

Desde o início do mês, os analistas passaram a prever que o PIB vai crescer neste ano menos do que os 2,72% verificados no ano passado. O governo, no entanto, mantém o discurso de que a expansão ficará acima desse patamar.

A pesquisa mostra ainda que as projeções mais pessimistas são de um resultado de 1,6%. O número está próximo do 1,5% projetado na semana passada pelo Credit Suisse, previsão que foi classificada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, como "piada". O teto para o crescimento neste ano continua em 3,5%.

Deve contribuir para esse resultado uma expansão fraca do setor industrial, cuja estimativa de crescimento passou de 1,58%, há quatro semanas, para 0,50%, na pesquisa divulgada ontem.

Nas últimas semanas, o governo mudou o discurso e o foco dos seus objetivos, ao afirmar que a maior parte das ações para estimular o crescimento terá resultado em 2013, quando a economia deve crescer 4,5%. Para o próximo ano, as estimativas do mercado estão em um intervalo entre 3% e 5,5%.

Roberto Padovani, economista chefe da corretora Votorantim, que projeta expansão de 2,2%, diz que "o contexto econômico atual comporta espaço para números ainda mais fracos". "Não descartamos o fato de que o crescente esgotamento da capacidade econômica e financeira de superação da crise na Europa possa manter a volatilidade dos mercados elevada, minar a confiança dos agentes e, com isso, gerar um viés negativo para o crescimento nos próximos trimestres."

Inflação. Um dado positivo da pesquisa divulgada ontem foi a expectativa de queda da inflação, o que abre espaço para cortes ainda maiores de juros. Os economistas reduziram a projeção para o IPCA para 4,95%. É a primeira vez desde março de 2011 em que a estimativa para a inflação oficial no País neste ano fica abaixo de 5%. A projeção para 2013 também recuou, para 5,50%.

Embora alguns analistas já esperem juros de 6,5% no final deste ano, a mediana das estimativas da pesquisa continua em 7,5%. Isso significa mais dois cortes de 0,50 ponto porcentual na taxa básica, que está hoje em 8,5% ao ano. Para 2013, ainda se espera nova alta dos juros, para 9% ao ano.

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