Na Petrobras, número de trabalhadoras dobrou

Com programa para promover equidade de gêneros desde 2005, quantidade funcionárias chegou a 9 mil em 2012

O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2012 | 02h10

De 2003 para cá, a Petrobrás mais que dobrou a quantidade de mulheres em seu quadro de funcionários. Hoje o público feminino corresponde a 15,3% (9.041 funcionárias) do efetivo total da empresa.

"Ainda somos minoria, mas, em termos relativos, a presença feminina por aqui cresceu 105% nos últimos oito anos, ao passo que a taxa de crescimento relativo da força de trabalho masculina, 56,1%", diz a gerente de orientações e práticas de responsabilidade social da empresa, Janice Dias. Segundo ela, o crescimento é fruto de um programa criado para promover a equidade de gêneros dentro da companhia, criado há nove anos. Ao longo deste período Janice conta que diversas ações foram tomadas no intuito de permitir a presença de mulheres em todas as unidades de exploração da empresa.

Além da adequação das estruturas contemplando a presença feminina (com a instalação de alojamentos e banheiros), a empresa criou uma normatização específica para uniformes (com a criação de uma tabela de medidas adequada ao corpo da mulher) e também dos equipamentos de proteção individual (EPI). "A cada período, vamos aprofundando a discussão sobre o tema", conta. O programa também visa a discutir assuntos como capacitação, cargos, salários.

"O mercado já compreendeu que a diversidade agrega sabedoria e consequentemente valor. As mulheres passam a se compreender como sujeitos de direito dessas posições e querendo ocupar esses espaços", diz a gerente da Petrobrás, que nota uma crescente na quantidade de trabalhadoras se candidatando nas seleções públicas anuais realizadas pela empresa.

Para Janice, no entanto, ainda há um longo caminho a ser trilhado no País para que determinadas funções nas organizações deixem de ter o estigma de "coisa de homem".

Na visão dela, as raízes da questão são profundas e extrapolam os limites das companhias. "Essa associação dos gêneros a determinadas carreiras é reflexo de uma cultura sexista. É claro que hoje a mulher está em outro patamar, é claro que houve evolução. Mas ao entrar num site para comprar um brinquedo, você ainda tem o helicóptero descrito como algo para meninos. E, desde criança, as meninas são orientadas a gostar de bonecas. Ou seja, a família, a escola e o mercado são sexistas", conclui Janice, dizendo que essa inclusão não depende apenas das companhias mas também de políticas públicas e de mobilização por parte da sociedade./L.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.