Na preservação do passado e presente, a memória do futuro

Arquivo do jornal é um dos maiores do Brasil e referência na organização de informações 

Rose Saconi, Lizbeth Batista e Carlos Eduardo Entini,

23 de maio de 2012 | 19h00

SÃO PAULO - Quando um exemplar da edição de estreia de A Província de São Paulo foi guardado no sobrado de número 14 da Rua de Palácio (hoje Rua do Tesouro), começava a nascer um dos maiores acervos jornalísticos do Brasil.

Como um bom acervo não se limita a guardar apenas o conteúdo produzido pelo próprio jornal, ao longo dos anos um gigantesco volume de informações foi sendo acumulado.

Pastas com fotos e recortes de notícias sobre assuntos e personalidades foram criadas para municiar os jornalistas com dados para suas reportagens.

Graças a esse trabalho, 56.453 assuntos estão organizados em 462 prateleiras. Ainda não digitalizadas, até hoje essas pastas são os itens mais consultados do acervo do jornal. Paralelamente, uma biblioteca de referência e uma robusta hemeroteca foram tomando corpo.

Por entender que essa valiosa fonte de conhecimento não poderia ficar restrita aos seus profissionais, o Estado sempre atendeu todos que requisitavam pesquisas.

Durante anos, o salão de consultas na antiga sede da Rua Major Quedinho, no centro da cidade, foi referência para gerações de estudantes e pesquisadores. Tornou-se um organismo cultural. "O Arquivo constitui o melhor acervo de informações sobre o Brasil atual", escreveu em 1976 o professor americano Harley Ross Hammond.

A partir dos anos 50, sob o comando do desenhista Armando Bordallo, o Arquivo estabeleceria um padrão de excelência na organização de informações. Metódico, Bordallo lançaria mão de instrumentos e técnicas que permitiam achar qualquer dado com facilidade e rapidez. Inspirado no New York Times, deixou um verdadeiro legado: índices de todas as matérias publicadas no Estado e no Jornal da Tarde.

Testemunha. João Amâncio Vieira, 80 anos, 56 deles no Arquivo, testemunhou momentos cruciais do trabalho de Bordallo, como a guarda das páginas censuradas pela ditadura em um local secreto. Com a experiência dessas cinco décadas, Amâncio é hoje outra fonte de informações importante nas pesquisas realizadas no acervo.

Preservando o passado e guardando o presente, o Acervo Estadão vai garantindo o futuro da memória. E os que fazem a história hoje estarão perpetuados nos próximos 137, 200, 500 anos...

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