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Na retranca com as eleições?

Essa valorização do dólar não pode ser qualificada como de estresse agudo

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 04h00

Com os candidatos de partidos de centro e de perfil reformista na rabeira das pesquisas de intenção de voto na eleição presidencial, teria o mercado já começado a montar uma posição defensiva nas suas carteiras de câmbio, bolsa e juros para se proteger de um eventual segundo turno entre dois nomes que representariam uma ruptura da atual política econômica?

Candidaturas vistas como o sonho de consumo do mercado financeiro, como a do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, nunca ganharam tração, passando de mero 1% na preferência do eleitorado.

Já a do ex-governador paulista Geraldo Alckmin, o mais bem posicionado representante do centro nas pesquisas de intenção de voto, enfrenta dificuldades para decolar e se mostrar viável para chegar ao segundo turno.

Mais ainda: o seu partido, PSDB, passa por um dos piores momentos da história, com o senador Aécio Neves réu em ação que o acusa de corrupção e obstrução de Justiça. O próprio Alckmin é investigado no âmbito da Operação Lava Jato.

Na opinião de um renomado gestor de recursos paulista, o mercado começou a montar posições defensivas via câmbio – comprado em dólar – já nas últimas semanas.

“O mercado já percebeu que a agenda econômica (do governo Temer) naufragou no curto prazo; daqui a 50 dias começa a Copa do Mundo; a situação vai piorar e o cenário para qualquer político tradicional é muito desafiador”, diz o gestor.

Em relação à Bolsa, o mercado ainda está otimista, pois os resultados das empresas brasileiras têm sido muito positivos e devem continuar assim. “O cenário global ainda permite [TOMAR]risco, mas é importante ter sempre alguma proteção”, acrescenta. Ele diz que uma posição defensiva nas carteiras seria ficar comprado em opções de alta de dólar e também em opções de venda de Bolsa.

Para um experiente estrategista baseado em Nova York, o investidor ainda não está se posicionando defensivamente, mas, na margem, ele diz que parece haver alguma preocupação maior de que não seja tão fácil assim para Alckmin chegar ao segundo turno.

Parece ainda estar cedo para isso (montar posição defensiva), acho que leva pelo menos mais uns meses e várias rodadas de novas pesquisas antes disso.”

Ele acredita que, num primeiro momento, movimentos defensivos dos investidores acontecerão no câmbio e na Bolsa. “Inflação corrente continua baixa o suficiente para ancorar juros de curto prazo, pois os de longo parecem já incorporar um certo prêmio, então talvez reagissem um pouco depois do câmbio e da Bolsa”, diz.

Mas já estaria na hora de o investidor jogar a toalha em relação às chances de Alckmin chegar ao segundo turno?

Definitivamente não, segundo um importante economista brasileiro. Para ele, a visão dos investidores ainda é a de que a candidatura de Alckmin vai demorar a ganhar fôlego, mas que será competitiva na reta final.

“Mas é preciso haver sinais daqui até a Copa do Mundo, em meados de junho, de que o Alckmin está crescendo nas pesquisas”, alerta o economista.

Para ele, será importante para avaliar as chances de Alckmin assim que houver uma definição das candidaturas. “A votação de Alckmin será diferente se Joaquim Barbosa estiver ou não estiver lá ou se a Marina Silva for ou não for candidata”, diz. “Ou seja, ainda estamos no estágio de definição de candidaturas antes de o mercado afirmar com certeza se o Alckmin é ou não é competitivo.”

É bem verdade que a disparada do dólar frente o real nos últimos dias reflete, em parte, o nervosismo com a incerteza do quadro eleitoral, além de um cenário externo mais volátil. Após fechar na segunda-feira a R$ 3,4497, o maior nível desde 2 de dezembro de 2016, a moeda americana chegou a ultrapassar ontem o patamar de R$ 3,48.

Por outro lado, essa valorização do dólar não pode ser qualificada como de estresse agudo. Tampouco se pode dizer o mesmo do desempenho da Bolsa, que vem oscilando numa faixa de 85 mil a 86 mil pontos.

Ou seja, a menos de seis meses do primeiro turno das eleições, o mercado financeiro ainda não está totalmente na retranca em relação a quem pode comandar o Palácio do Planalto e a economia brasileira em 2019, apesar de não se saber nem ao menos quem, de fato, são os candidatos. 

COLUNISTA DO BROADCAST

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