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Na saúde e na doença

São Paulo é hoje referência no setor de saúde no Brasil. Desde a doença terminal do então presidente eleito Tancredo Neves, em 1985, por exemplo, corre de boca em boca o quase ditado de que o melhor atendimento médico de Brasília é a ponte aérea para São Paulo.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2016 | 03h00

Esse bom conceito da cidade atrai cada vez mais visitantes à procura de tratamento médico. Os números que atestam esse movimento nunca foram submetidos a critérios uniformes de aferição, mas são suficientemente sólidos para comprovar essa percepção. 

Uma pesquisa feita no segundo semestre de 2015 pela São Paulo Turismo (SPTuris, empresa de turismo e eventos da cidade de São Paulo) verificou que 5% dos entrevistados em aeroportos, rodoviárias e rodovias se dirigiam a São Paulo em busca de melhores condições de tratamento médico. A cidade dispõe de 193 hospitais, dos quais 26 recebem certificados internacionais de qualidade da Joint Commission.

Mas o que mais conta é o fato de que se difunde no Brasil o conceito, que se espraia para os países vizinhos, de que São Paulo proporciona padrões de excelência em serviços de saúde, internação hospitalar, centros de diagnóstico e serviços cirúrgicos de alto nível.

O superintendente comercial do Sírio-Libanês, Clebio Garcia, conta que as receitas do seu hospital geradas por estrangeiros subiram 16% de 2013 para 2014 e 43% de 2014 para 2015. Encabeçam a lista angolanos, uruguaios, paraguaios, argentinos e venezuelanos. Além do bom conceito, Garcia credita essa procura à proximidade entre os países. Mas ele acrescenta a observação de que a crise econômica do Brasil tem sido fator determinante: é mais barato pagar por tratamento aqui do que, por exemplo, na Flórida.

O Hospital Samaritano realizou mais de 24 mil internações em 2015, das quais 21% foram de pessoas de outras cidades. Os atendimentos a moradores de fora de São Paulo também chegaram a 13 mil entre os 116 mil realizados no pronto-socorro para adultos e 7,5 mil das 54,6 mil emergências do pronto-socorro infantil. 

O Hospital Osvaldo Cruz apresenta números reunidos de outra forma: 3% dos pacientes são de outros Estados e 2%, estrangeiros. Nos últimos três anos, houve aumento de 71,6% no número de atendimento de pessoas de outras cidades do Estado de São Paulo.

O urologista Marco Antonio Arap avalia que em torno de 50% das cirurgias feitas por meio de sua clínica são realizadas em pacientes que vêm ou do exterior ou de fora de São Paulo. 

O mesmo movimento pode ser notado no caso dos exames de diagnóstico. A doutora Jeane Tsutsui, diretora executiva médica e técnica do Grupo Fleury, reconhece que os novos serviços de medicina integrada, que alcançam simultaneamente vários campos da medicina e avaliam previamente a eficácia dos procedimentos médicos, passaram a atrair cada vez mais gente de fora em busca de diagnósticos mais precisos. Ela explica que hoje não basta saber que uma paciente tem câncer de mama. Precisa saber que tipo de tratamento é o mais adequado a seu caso, se uma cirurgia simples, se quimioterapia ou radioterapia. Mas Jeane não adianta números mais consistentes. Só acrescenta que, em 2015, 13,3 mil atendimentos foram feitos a clientes de fora de São Paulo, número próximo do registrado no ano anterior.

Outros segmentos da área de serviços, como hotéis, comércio de equipamentos ortopédicos e tudo o que vem junto também tiram proveito dessa maior procura. O hotel Blue Tree Premium, por exemplo, próximo aos hospitais 9 de Julho e Sírio-Libanês, calcula que o chamado turismo médico, de pacientes, acompanhantes e participantes de fóruns e conferências, é responsável por 30% de sua receita total. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) de São Paulo, Bruno Omori, estima que esse tipo de visitante é responsável por alguma coisa entre 10% e 15% da busca por hospedagem na capital paulista.

O Ministério do Turismo fez um levantamento que apontou que, em 2014, ano da última pesquisa desse tipo, 10,5 milhões de viagens foram feitas no País por razões médicas e 32 mil estrangeiros desembarcaram para tratar de saúde.

Enfim, São Paulo é o que é não apenas na alegria e na tristeza, mas também na saúde e na doença. COM FERNANDO ARBEX

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