Andre Penner/AP PHOTO
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Na vila, uma cerveja para esquecer a greve

Apesar da paralisação, bares de região boêmia estavam cheios ontem; já os lojistas de shopping ficaram decepcionados com o baixo movimento

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2018 | 23h19

Enquanto os corredores de shoppings estavam vazios, as calçadas de bares da Vila Madalena, na zona oeste paulistana, ficaram tomadas de clientes, apesar da ameaça de desabastecimento em decorrência da greve dos caminhoneiros. Quem não dependia do carro ou tinha um pouco de combustível foi se divertir – principalmente para assistir pela TV ao jogo de futebol entre Real Madrid e Liverpool, a final da Champions League.

No bairro boêmio, ontem à tarde não faltou chope nem caipirinha. Também não havia ausência no estoque de pratos oferecidos no cardápio. “Eu vim de carona, mas consegui abastecer o carro. Vai dar para trabalhar no começo da semana”, disse a musicista Andressa Dantas, de 28 anos, uma das que decidiram se divertir.

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Quem deu carona para Andressa foi a profissional de Marketing Débora do Carmo, de 30 anos. Ela disse ter abastecido o carro na quinta-feira e, como trabalha perto de casa, não pretende gastar muito com gasolina durante a semana. “Por isso deu para sair. A gente veio no aniversário de outra amiga”, afirmou, entre mesas repletas de pessoas vibrando com os gols do campeonato europeu.

O bairro ficou cheio também de turistas, alheios à crise nacional. “Chamei o Uber no hotel, em Higienópolis (região central), e vou voltar de Uber. Não demorou. Só achei um pouco mais caro do que o costume”, contou o pecuarista Bruno Lima, de 30 anos, que volta para Salvador amanhã. “Também não estou preocupado com o voo não.”

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Esse clima se repetiu em poucos lugares. A greve também não desanimou o público de um evento de troca de figurinhas do álbum da Copa, no Estádio do Pacaembu. Dezenas de crianças e adultos foram ao local.

Baixo quórum. Já no Shopping Vila Olímpia, zona sul, a quantidade de frequentadores era menor do que o habitual. “Eu estou de férias, só volto na semana que vem. Então não tive problemas. Mas todos os postos de gasolina por onde passei estavam fechados”, afirmou a bancária Gabriela Sgardi, de 25 anos.

O baixo movimento, claro, se refletiu nas vendas. “No meio da tarde, num sábado comum, meu bolinho de recibos estaria cheio. Olha como está hoje (ontem)”, reclamou o vendedor João Marcos da Cruz, de 18 anos, caixa de uma sorveteria. Nas mãos, tinha meia dúzia de comprovantes de pagamento, presos por um clipe.

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No Shopping Iguatemi, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, também na região oeste, o cenário não era diferente, exceto pelas filas nos pontos de táxi em frente ao local. “Temos 104 táxis. São 20 trabalhando hoje, é o pessoal que usa gás. Por isso, estamos chamando qualquer carro (de táxi) que passa na rua”, explicou André Luiz Rodrigues Barbosa, de 18 anos, assistente de táxis do ponto em frente ao Iguatemi.

Vários shows também foram cancelados ontem. Um deles foi o Festival Tim Music, que seria no Anhembi. Uma das atrações era a dupla Simone e Simaria.

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