Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Na volta das férias, 800 são demitidos na VW

Empresa enviou carta aos funcionários no fim de semana; Sindicato dos Metalúrgicos do ABC pretende realizar protestos

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2015 | 02h04

O ano começa com demissões na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Desde sexta-feira, cerca de 800 trabalhadores receberam cartas solicitando o comparecimento, hoje - data em que a maioria dos funcionários retorna de férias coletivas - ao departamento pessoal. O Sindicato dos Metalúrgicos realiza assembleia às 7h para discutir o assunto e pretende adotar medidas de protesto contra os cortes.

A fábrica Anchieta, como é conhecida a mais antiga unidade da Volkswagen no Brasil, emprega cerca de 13 mil trabalhadores. O sindicato tentará retomar negociações, suspensas desde o início de dezembro, quando os trabalhadores rejeitaram proposta feita pela empresa que incluía, entre outros itens, a abertura de um programa de demissão voluntária (PDV) para cerca de 2,1 mil trabalhadores considerados excedentes e suspensão de reajustes salariais neste ano e em 2016, substituídos por abonos.

A empresa não confirma as demissões, mas, em nota divulgada ontem à tarde afirma ser "urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições de competitividade da Anchieta, motivo pelo qual a empresa terá de estabelecer medidas".

A companhia relata o cenário de retração da indústria automobilística brasileira, cujas vendas caíram 7,1% em 2014 na comparação com 2013, enquanto as exportações recuaram cerca de 40%. O resultado foi uma retração de aproximadamente 15% na produção do setor.

A Volkswagen reduziu suas vendas em 13,5%, para 576.670 unidades no ano passado, caindo para o terceiro lugar no ranking entre as fabricantes, atrás de General Motors, que registrou queda de 10,9% nas vendas, e da líder Fiat, com queda de 8,4%.

O Sindicato dos Metalúrgicos alega que a empresa tem um acordo com os trabalhadores, feito em 2012, que previa estabilidade de empregos até 2016. A Volkswagen, por sua vez, afirma que o acerto foi feito num momento em que o mercado crescia e precisou revê-lo diante da nova situação de retração. A nova proposta também previa garantia de emprego até 2017 para quem continuasse na fábrica. A Volks também tem fábricas de carros em Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR).

Mercedes. Outra montadora do ABC que afirma ter trabalhadores ociosos é a fabricante de caminhões e ônibus Mercedes-Benz. Segundo o sindicato, a empresa renovou com um grupo de trabalhadores novo período de lay-off (suspensão temporária de contratos de trabalho) por cinco meses, mas deixou de fora 244 funcionários de um total de 1,2 mil que participou do programa até novembro.

Parte desse pessoal pode ter aderido a um PDV, mas os números do programa, aberto no fim de 2014, ainda não foram divulgados. Nenhum representante da empresa foi localizado ontem para falar do assunto.

No ano passado, até novembro, as montadoras de veículos e tratores eliminaram 10,8 mil postos de trabalho e empregavam, até aquela data, 146,2 mil pessoas. Os números de dezembro serão divulgados na quinta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Tudo o que sabemos sobre:
Volkswagenindústria automobilística

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.