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Nacionalização do gás ameaça emprego na Bolívia

A queda nos investimentos das empresas transnacionais de petróleo e gás na Bolívia, acentuada pela nacionalização do setor em maio deste ano, ameaça empregos no país, segundo a avaliação da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos. De acordo com a câmara, que representa transacionais atuando na Bolívia, as petroleiras e empresas terceirizadas chegaram a empregar cerca de 100 mil pessoas quando o setor viveu seu auge em 2003. "(?) As prestadoras de serviço das petroleiras começaram a se transferir para outros países da região, como a Argentina, onde trabalham na perfuração de novos poços. Hoje, esses empregos caíram quase à metade na Bolívia", disse um assessor da câmara em entrevista por telefone à BBC Brasil."Quase todos os dias, recebemos informação de alguma prestadora de serviço que teve de demitir 300 ou que teve que suspender a abertura vagas", exemplificou o assessor, destacando que o fechamento de postos ocorre, sobretudo, entre as terceirizadas que empregam cerca de 70% da mão-de-obra do setor e onde o emprego é mais vulnerável.Dados oficiaisA estimativa se baseia em relatos de muitas das cerca de 100 petroleiras e empresas terceirizadas que a câmara representa. Não é possível confirmar o fenômeno com estatísticas oficiais, uma vez que a Bolívia não acompanha o indicador periodicamente, como outros países. O dado mais recente é de 2004, quando o desemprego estava em 8,7% da população economicamente ativa.O ex-ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia Maurício Medina Celi, do governo do ex-presidente Eduardo Rodríguez, que antecedeu a gestão atual de Evo Morales, confirma que a Bolívia perdeu postos de trabalho."Há quatro anos, antes de entrarmos numa etapa de incertezas políticas, existiam 30 equipes de trabalho perfurando poços de petróleo na Bolívia. Hoje, são apenas duas equipes", afirmou o ex-ministro, por telefone, de La Paz. Apesar disso, o ex-ministro acredita que o impacto sobre o desemprego pode não ser direto, já que muitos trabalhadores migram junto com seus empregos para outros países da região.Investimento em quedaEle salientou, no entanto, que a maior preocupação do país atualmente é com a suspensão dos investimentos - tanto nos poços já perfurados quanto nos trabalhos de busca por novos poços - que compromete a produção.Érica Fraga, responsável por análises sobre a Bolívia na consultoria Economist Intelligence Unit, baseada em Londres, diz que o fluxo de investimentos estrangeiros diretos no setor de gás e petróleo na Bolívia caiu de US$ 463 milhões em 2002 para US$ 105 milhões no ano passado. Ou seja, uma redução de 77%. "Neste ano, acredito que esse número não ultrapassará US$ 70 milhões", informou. "Desde o ano passado, as empresas estão fazendo o investimento mínimo necessário", acrescentou. Para completar, destacou, no ano passado, pela primeira vez em 15 anos, a Bolívia, dona da segunda maior reserva de gás da América Latina, registrou maior fluxo de saída do que de entrada de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). "Esse número envolve todos os setores, não apenas gás", disse ela, observando que acredita que no setor de gás o impacto tenha sido mais forte. Este ano, graças a investimentos que não podem ser adiados na área de mineração, o IED será de, no máximo, US$ 200 milhões. A Bolívia chegou a receber, informou, US$ 1 bilhão de IED em 1999.O boom dos investimentos das transnacionais de petróleo na Bolívia foi registrado em 1998, de acordo com dados oficiais, recordou o ex-ministro Maurício Medina Celi. A queda deste item acelerou-se a partir de 2003, ano da renúncia do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada - quando os bolivianos foram às ruas em protesto contra seu governo e as privatizações que implementou. "Os números provam que os investimentos já estavam caindo quando o governo do presidente (Evo) Morales lançou (em maio) o decreto de nacionalização de hidrocarbonetos", observou o ex-ministro.

Agencia Estado,

29 de setembro de 2006 | 17h03

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