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Nacionalização na Bolívia não afetará mercado de gás

A Agência Internacional de Energia (AIE) aponta que a decisão da Bolívia de nacionalizar seus campos de gás não terá um impacto por enquanto no "equilíbrio do mercado mundial" do produto. Para a entidade, com sede em Paris, os efeitos das medidas do governo boliviano de Evo Morales devem ficar restritos à América do Sul e principalmente ao Brasil. O gás natural é hoje o recurso energético que mais cresce em termos de produção e consumo. Não por acaso, a média do preço do gás aumentou em oito vezes nos principais mercados consumidores, como Europa e Estados Unidos na última década. Até 2025, as estimativas da AIE são de que o uso do gás irá duplicar, em parte por causa da alta dos preços do petróleo e diante da necessidade de países em buscarem fontes mais limpas de energia. No caso da Bolívia, porém, a AIE aponta que o país não fornece para outras regiões do além da América do Sul e os países afetados teriam sérias dificuldades para trazer o produto de outros continentes. Segundo o especialista em gás natural na Agência, Daniel Simmons, "a América do Sul ainda não tem a tecnologia para transformar o gás em líquido para transportá-lo para outras regiões e, portanto, os anúncios feitos na Bolívia não conseguirão afetar o equilíbrio entre demanda e oferta nos mercados mundiais de gás por enquanto".Reservas limitadasA agência também destaca que a Bolívia, apesar de ser um fornecedor importante ao Brasil, tem reservas consideradas como "limitadas" em comparação a outros países. A Bolívia não está nem entre os 20 maiores produtores do mundo e representa menos de 0,7% das reservas de gás no planeta. Pelos cálculos da British Petroleum, por exemplo, a Bolívia é apenas a quarta reserva das Américas, superada pelos Estados Unidos, Venezuela e Canadá. Os especialistas, porém, alertam que o preocupante é que a decisão manda um sinal negativo para o "futuro crescimento do setor do gás na América do Sul". Segundo a entidade, formada pelos países ricos, se os campos com recursos energéticos não receberem investimentos suficientes, poderá haver uma necessidade de a região ter de importar gás de outras fontes. A AIE aponta o caso da nacionalização do gás no México. "Antes de tomarem essa decisão, os mexicanos chegavam a exportar gás para os Estados Unidos. Depois, a nacionalização da Pemex levou o país a ter de importar gás americano, apesar de suas imensas reservas", completou Simmons.

Agencia Estado,

05 de maio de 2006 | 17h12

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