REUTERS/Ueslei Marcelino
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Nada mudou em nossa política cambial, diz presidente do BC

Ilan Goldfajn se recusou a falar sobre uma eventual permanência no comando da instituição, como já sinalizado pelo candidato Jair Bolsonaro, do PSL

Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2018 | 12h34

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, defendeu nesta quinta-feira, 27, que "nada mudou" na política cambial do adotada pela instituição para o País. Durante entrevista coletiva para apresentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), e em um momento em que a cotação do dólar à vista frente o real operava abaixo de R$ 4, Ilan disse que a instituição continua focada "em permitir que o câmbio exerça seu papel". "Continuamos monitorando o mercado, o excesso de volatilidade, as dinâmicas perversas. Tudo isso continua igual", disse. "É importante enfatizar isso", completou.

Durante a entrevista, o presidente do BC também foi questionado sobre os riscos da alta no câmbio para a inflação e se seria possível atribuir pesos distintos à preocupação citada do Comitê de Política Monetária (Copom) com o impacto da normalização monetária internacional sobre emergentes e, também, o eventual risco relacionado à agenda de reformas no Brasil. 

"Acho que há tanto as questões externas quanto as internas sobre as reformas e os ajustes. Todas essas questões são levantadas ao mesmo tempo. Aqui, falamos da combinação das duas (questões)", disse. "Não temos nenhum peso maior ou menor para as questões e as duas acabam impactando, não ao mesmo tempo, mas ao longo do tempo", explicou. 

Futuro incerto

O presidente do BC não comentou nem se comprometeu sobre seu futuro à frente da instituição em meio à corrida presidencial. 

"Vocês que têm me acompanhado aqui sabem que, em geral, a minha posição tem sido neutra em questões políticas", disse Ilan, ao ser questionado sobre a sinalização da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) de que o candidato gostaria de mantê-lo no cargo em um eventual governo do deputado.

Durante a entrevista, o tema foi levantado por vários repórteres e Ilan repetiu que não se posicionaria sobre o tema. 

"Meu papel é não entrar nessas provocações (dos jornalistas). Isso não ajuda. O Brasil precisa de atores neutros, instituições que vão fazer o que tem de ser feito independente do que há pela frente e de sermos apartidários", disse.

Ao ser questionado se eventual posicionamento neste momento não poderia reduzir as incertezas, o presidente do BC respondeu que "obviamente gostaria de oferecer o máximo de tranquilidade para todo mundo". Essa tranquilidade, porém, não será dada com uma resposta sobre seu futuro na instituição, explicou. 

Ilan defendeu que ele pode contribuir com a tranquilidade "fazendo o que a gente está fazendo agora (no BC): sendo neutro e apartidário é a melhor forma".

"Tenho justificado (a posição) pela natureza do nosso trabalho. O BC é uma instituição apartidária, estável, que quer ser neutra, uma instituição para o Brasil", argumentou. 

"Isso não me permite entrar nessas considerações em questões de campanha. Vou continuar na mesma linha de não comentar questões relacionadas a política", reforçou.

 

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