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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Naji Nahas quer indenização de R$ 10 bi da Bovespa e da BM&F

Inocentado de processos criminais, investidor agora pede ressarcimento por danos morais e materiais

Alaor Barbosa, O Estadao de S.Paulo

04 de outubro de 2007 | 00h00

O investidor Naji Robert Nahas entrou com um processo contra a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (hoje administrada pela Bolsa de Mercadorias & Futuros - BM&F) e contra a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Além de Nahas, como pessoa física, as empresas Selecta Participações e Serviços SC Ltda e Cobrasol - Companhia Brasileira de Óleos e Derivados figuram como autoras. No processo, é pedida indenização por danos morais e materiais. O advogado Sérgio Tostes, que defende Nahas, estima em R$ 10 bilhões o valor da indenização ao seu cliente. "São contas matemáticas, resultantes dos prejuízos incorridos em 1989 e os lucros cessantes desde então", disse Tostes, referindo-se às perdas do seu cliente no maior escândalo financeiro do País, que ficou conhecido no mercado como "Caso Nahas", o estopim para a quebra da Bolsa do Rio. Além disso, Tostes estima indenizações adicionais por danos morais, caso o juiz aceite o pedido.Tostes disse que foi coincidência o início da ação contra as duas bolsas e o processo de abertura de capital das duas instituições, com a colocação de ações no mercado. E ele garante que não pretende interromper o processo de lançamento de ações (IPOs) das bolsas. Segundo ele, Nahas optou por ingressar com o pedido de indenização somente após a conclusão dos processos nos quais ele era acusado criminalmente. "Com os processos criminais encerrados, decidimos ingressar com pedidos de indenização", disse o advogado. De qualquer forma, ele considera que os investidores interessados nas ações devem ficar atentos a essa possível indenização. "É um passivo que tem de ser considerado", acentuou.O advogado justifica o valor do pedido considerando que o investidor Naji Nahas tinha o equivalente a 12% da Companhia Vale do Rio Doce e cerca de 7% do capital da Petrobrás, as duas maiores empresas brasileiras na bolsa. "Se você fizer as contas, vai verificar que o valor atual poderia ser até maior", diz. "Se Nahas mantivesse a mesma posição daquela época seria um dos maiores acionistas da Vale."Em valores históricos, Tostes disse que os valores envolvidos representavam cerca de US$ 300 milhões. Mas o investidor poderia manter as suas operações e até ampliar suas posições acionárias. Essas posições, porém, foram interrompidas por ações diretas das duas bolsas, que venderam as ações de Nahas para quitar operações de empréstimos. "O problema é que as ações foram vendidas por valores muito depreciados, causando prejuízos ao investidor. Além disso, foram vendidas sem autorização de Nahas", sustenta. A operação foi concluída em 08 de junho de 1989. Naquele dia as duas bolsas foram fechadas para negociação, reabrindo os pregões no dia seguinte, com grande queda nos preços das ações. Tostes define as operações de Nahas como "ousadas", já que eram alavancadas por empréstimos bancários. "Houve uma ingerência indevida que prejudicou o meu cliente. Consideramos que a indenização é justa", sustenta.

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