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Namisa, da CSN, quer investir em transporte

Objetivo da empresa é conquistar parte de mercado chinês

Natália Gomez, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Enquanto inicia um plano de investimento de US$ 2 bilhões para ampliar sua produção de minério de ferro, a Namisa - mineradora controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e um consórcio asiático - estuda investir em transporte marítimo por meio do aluguel ou compra de navios. O formato do investimento, que deve ser feito em parceria com a CSN, ainda não foi definido, mas o objetivo de ambas é abocanhar uma fatia do mercado chinês, onde o sistema de entregas de minério tem migrado do sistema FOB, no qual o cliente paga o frete, pelo sistema CIF, em que os fornecedores arcam com despesas de transporte. Segundo o presidente da Namisa, Charles Laganá Putz, o projeto deve ser executado até o final do ano. "Devemos começar com o aluguel de alguns navios para adquirir experiência neste novo mercado."O executivo explicou que os clientes da Europa, Japão e Coreia do Sul continuam a comprar minério no sistema tradicional, com seus próprios navios ou contratos de longo prazo, mas a tendência é que o crescimento do mercado chinês se dê por meio do sistema CIF. Além de mirar o mercado chinês, a CSN e a Namisa também pretendem ampliar as vendas para pequenas siderúrgicas europeias que hoje são atendidas pelas grandes usinas locais. "As grandes compram minério e revendem para as menores usinas. Se tivermos nosso transporte próprio, poderemos atender estas empresas diretamente", disse Putz, que assumiu a presidência da Namisa em fevereiro deste ano, vindo da CSN.No caso da Namisa, 40% das vendas são destinadas aos sócios asiáticos, que detém uma fatia de 40% na empresa. Os 60% restantes são vendidos livremente para a Europa e para a China. A CSN, que está mais exposta à China, tem interesse em atuar nesta área porque sua produção de minério também vai crescer. As duas produzirão juntas 100 milhões de toneladas ao ano em 2012.O investimento em transporte marítimo tem despertado o interesse de mineradoras em todo o mundo. A Vale, maior produtora de minério de ferro, já está investindo em sua frota própria. No segundo trimestre, 70% do minério vendido pela Vale na China foi para o mercado "spot", sendo que a empresa pagou pelo transporte (sistema CIF). Apenas o restante ocorreu com o tradicional sistema FOB, no qual o cliente paga pelo frete. A empresa não divulga qual porcentual das vendas de minério está sendo feita com navios próprios. Segundo Putz, ainda não é possível dizer se esta tendência veio para ficar, mas explicou que ela começou quando o mercado mundial de minério estava muito fraco e as mineradoras começaram a embarcar minério para a China por conta própria para tentar escoar sua produção. "Não se sabe se poderá ser revertida com a recuperação dos mercados", disse.A CSN informou no início do mês que poderia apresentar um plano de investimentos em transporte marítimo ainda no segundo semestre. De acordo com o presidente da Namisa, os aportes nesta área não foram definidos, mas serão separados do projeto de US$ 2 bilhões a US$ 2,2 bilhões destinados ao aumento da capacidade produtiva da Namisa. Na área de logística, a empresa já conta com uma participação de 10% na ferrovia MRS, que antes pertencia à CSN. A transferência ocorreu no processo de venda da fatia de 40% da Namisa para o consórcio asiático, liderado pela trading japonesa Itochu, no final do ano passado.

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