Não aceito confronto entre biocombustível e alimento, diz Lula

Presidente classifica de 'palpiteiros' aqueles que falam sobre influência dos combustíveis no preços de alimentos

Lisandra Paraguassu, de O Estado de S. Paulo,

16 de abril de 2008 | 16h36

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta quarta-feira, 16, as críticas que vinculam a elevação do preço dos alimentos à prioridade dada para a produção agrícola voltada para a produção do biocombustível. "Essa questão de confronto entre biocombustíveis e alimento eu não aceito", afirmou.   Veja também: Especial sobre a crise de alimentos  Líderes mundiais pedem urgência contra inflação de alimentos Álcool brasileiro tem menos impacto em alimentos, diz Bird   Celso Ming explica a alta da inflação  Produção maior é saída contra inflação, diz Lula ONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentos Entenda os principais índices de inflação     Ao ser questionado sobre avaliação de "entendidos", sobre as conseqüências do biocombustível no preço dos alimentos, o presidente reagiu: "Entendidos em termos. Muitas vezes palpiteiros. São palpiteiros. É muito fácil alguém ficar sentado num banco na Suíça dando palpites no Brasil e na África. É importante vir aqui e meter o pé no barro para saber como a gente vive, a quantidade de terras que temos e o potencial de produção que temos".   A produção de biocombustíveis vem recebendo, nos últimos dias, críticas do Banco Mundial, organização das Nações Unidas e autoridades européias. O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, chegou a classificar a produção de biocombustível como um "crime contra a humanidade".   Lula disse que, a questão principal é "que existe hoje um milhão de seres humanos que não comem as calorias necessárias e não tem biodiesel".   Segundo o presidente, os países ricos contribuiriam de forma extraordinária se tirassem o subsídio da agricultura. "Eu jamais iria aceitar qualquer tipo de política que fizesse a gente comer nafta e fazer combustível de soja", rebateu. Na avaliação de Lula, o preço dos alimentos tem aumentado porque o "mundo não estava preparado para ver milhões de pessoas comerem três vezes por dia".   Além disso, recomendou: "O que tem que fazer é, em vez de ficar chorando, produzir mais alimentos. Nesse aspecto o Brasil pode oferecer muita coisa - tem 400 milhões de hectares preparados para agricultura e outros 60 milhões de hectares de pastos degradados que podem ser recuperados".   O presidente disse que está disposto a debater a questão de alimentos no mundo inteiro. "Queremos que se discuta com racionalidade, mas não a partir da lógica da Europa". Lula deu tais declarações ao sair do Itamaraty onde participou de almoço oferecido pelo governo brasileiro à presidente da Índia, Pratibha Patil.

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