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Fábio Gallo
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Não acredite em alto rendimento sem esforço

Investir em renda variável requer conhecimento maior que o nível comum que temos sobre finança

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2019 | 05h00

Eu e meu marido estamos programando uma viagem de volta ao mundo de navio para 2020. Para concretizá-la, temos de vender vários itens, como carro e joias. Somos um casal na faixa dos 70 anos, por isso essa urgência. Conforme formos fazendo as vendas, vale a pena comprar dólar ou euro ou melhor optar por algum investimento de curto prazo?

Antes da resposta, quero dizer que fico feliz com a decisão tomada por vocês. Aproveitar a vida enquanto é possível é a melhor coisa que podemos fazer – obviamente, desde que essa atitude seja responsável, como aparenta ser pela pergunta. Imagino que a estrutura de vida na volta já esteja planejada e com os recursos programados. O dinheiro está a nosso serviço, e não o contrário. Como vocês têm um objetivo bem definido no curto prazo e que envolve câmbio, o melhor é vocês irem investindo em dólar. Isso é o que chamamos de hedge: a busca de proteção contra a variação da moeda estrangeira e outros riscos financeiros. Há bons investimentos no Brasil, mesmo no curto prazo, como CDBs, LCIs e fundos de investimento. Mas, com as atuais taxas de juros, o ganho que vocês teriam seria relativamente baixo – além da preocupação do risco cambial. À medida que forem obtendo recursos em reais, troquem por dólar. Vocês podem não ter boa rentabilidade, mas ficarão seguros de que o dinheiro da viagem está garantido. Imaginem aplicar em algo com alta rentabilidade; mas aí, no dia em que precisarem da moeda estrangeira, ocorre uma grande desvalorização do real. Todo o ganho da aplicação seria perdido na troca de moeda, podendo colocar em risco a própria viagem. A dica é ir comprando conforme forem obtendo recursos e aproveitando as oportunidades de baixa do dólar. Outra dica é realizar um planejamento financeiro muito rígido da viagem. Não deixem de fazer uma planilha para o dia a dia, com todos os gastos para uma previsão firme e que permita o acompanhamento de despesas a fim de aproveitarem a viagem como merecem. Boa viagem e sejam felizes!

Neste início de ano, a Bolsa está batendo todos os recordes. Ainda vale a pena investir em ações, mesmo com essa alta?

Sim, a Bolsa está mostrando um vigor que não tinha há anos e, ainda, há espaço para subir mais. No entanto, isso não quer dizer que não há sinais de alerta e que o risco deixou de existir. Investir em renda variável requer conhecimento maior que o nível comum que temos sobre finanças. Num cenário de taxas de juros baixas e no qual obter altos ganhos com renda fixa já não é possível, os investidores têm de aceitar mais risco para a preservação de sua riqueza. Mas, cuidado, principalmente aqueles investidores com menor grau de conhecimento sobre ações que buscam ganhos reais e, muitas vezes, de maneira incompatível – querem ganho “sem risco”. Muitos investidores, na ânsia de preservar ganhos fáceis, ouvem muitas dicas e seguem modismos. O resultado é que acabam cometendo muitos erros. Não acreditem em ofertas de altos rendimentos sem esforço. Os entrantes no mercado de capitais devem começar a entender o seu funcionamento para poder organizar as suas carteiras com visão mais estruturada, com estratégias definidas e com visão de longo prazo. Na internet, há portais de corretoras e outros agentes do mercado com muita coisa boa acessível para os interessados. Comece com moderação, aplicando em fundos de ações sem alavancagem. Busque diversificar o máximo possível a sua carteira e pense no longo prazo.

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