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Não adesão da Venezuela ao Mercosul será vitória dos EUA, diz Chávez

Presidente da Venezuela voltou a atacar o Congresso brasileiro

Denise Chrispim Marin, do Estadão,

20 de setembro de 2007 | 18h34

O presidente Hugo Chávez acusou nesta quinta-feira, 20, mais uma vez, o Congresso brasileiro de atrasar a votação da entrada da Venezuela no Mercosul por submissão aos interesses dos Estados Unidos. Chávez disse que não vai se "arrastar e implorar" pela aprovação, e foi explícito ao acusar o Legislativo brasileiro: "Estou seguro que é a mão do império, a mão norte-americana (culpada pelo atraso)". Para evitar a imprensa e não ter de comentar as declarações de Chávez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou no hotel de Manaus pelos fundos. Em junho passado, o presidente havia feito outro ataque nos mesmos moldes do que fez ao desembarcar em Manaus para um encontro com o presidente Lula. Ele havia chamado o Congresso de "papagaio dos EUA". Na opinião dele, os parlamentares brasileiros "repetem como um papagaio" o que diz o Congresso americano em relação à situação venezuelana. "Que triste para o povo brasileiro! Minhas condolências para esse povo que não merece isso. Um Congresso que repete como papagaio o que dizem em Washington", afirmara Chávez quatro meses atrás. Perplexo com o atraso Ao desembarcar em Manaus, Chávez se disse perplexo com o atraso do Congresso brasileiro em aprovar o protocolo de adesão plena de seu país ao Mercosul - o protocolo está na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Ele disse que a Venezuela pode esperar até "um limite digno" mas não vai se "arrastar" para conseguir a adesão plena ao Mercosul. "Mais que chateado, eu estou triste e muito perplexo", disse. E completou: "Estou seguro que é a mão do império, a mão norte-americana. Se a Venezuela não ingressa no Mercosul será vitória para o império". Se a adesão não for aprovada, afirmou, a Venezuela continuará trabalhando da mesma pela integração da América do Sul e Caribe. "Acabo de ter o meu terceiro neto. São nove meses para a gestação de uma criança, não é? Se passa (desse período), perde a criança. Isto (a tramitação do protocolo no Congresso brasileiro) já está passado", afirmou. Em sua argumentação, o presidente venezuelano insistiu que seu país cumpriu com todos os requisitos técnicos para sua adesão ao Mercosul e deixou claro que o aumento expressivo das exportações brasileiras para o mercado venezuelano foi resultado de "vontade política" e "não caiu do céu". O atraso na tramitação do protocolo no Congresso brasileiro se deve, segundo fontes, em sua maior parte devido à inexistência de acordos de liberalização comercial com o Brasil e Argentina. Refinaria em Pernambuco Lula e Chávez reuniram-se ontem em Manaus para tratar, entre outros assuntos, sobre o acordo entre a Petrobrás e a PDVSA para a construção da refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco. Ao ser questionado sobre a informação de que a PDVSA estaria pleiteando ficar com 60% do controle acionário da refinaria Abreu Lima,Chávez reagiu: "Isso é uma mentira. O que você está repetindo é uma mentira".  A pretensão da PDVSA foi, no entanto, confirmada pelo Itamaraty e pela Petrobrás. Chávez afirmou ainda estar chateado e que lhe dá pena o atraso nas obras da refinaria. Reclamou ainda que desde a cerimônia de colocação da pedra fundamental já se passaram dois anos. O atraso, na sua opinião, se deve à burocracia do governo brasileiro e da Petrobrás. Até o fechamento desta edição o encontro dos dois presidentes ainda não havia terminado. Chávez lembrou que há dois anos, em Manaus, havia conversado com Lula que se ambos os países não vencessem a burocracia, não haveria integração na América do sul. "Eu estou encarregado da minha parte. A Venezuela está pronta (para a construção da refinaria) há tempos", disse. Em relação a outro tema que complica a agenda energética Brasil-Venezuela, a construção do gasoduto do Sul, Chávez igualmente rebateu advertências feitas pela Petrobrás de que não há certeza sobre a capacidade das jazidas de gás de Mariscal Sucre, principal fonte do gás que escoará pelo gasoduto. A Petrobrás reclama que, apesar de seus insistentes pedidos, a Venezuela nunca apresentou a certificação destas jazidas. "Há opiniões da Petrobrás que eu não entendo", afirmou Chávez para, em seguida, declarar que essas são as maiores reservas de gás do mundo. À imprensa, o presidente Venezuelano fez um relato de uma recente conversa com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Na ocasião, Putin teria dito que a direita da União Européia havia se oposto a construção do gasoduto que liga as reservas deste país ao mercado europeu. Segundo relato de Chávez, Putin teria lhe dito: "Eles (os vizinhos americanos) vão ter que bater à sua porta. Senão a luz vai se apagar." De acordo com Chávez, os países vizinhos já estão batendo à sua porta e já estão sem energia. Ao final da entrevista, em um tom mais brando, o presidente da Venezuela afirmou que está disposto a resolver todos os problemas e a trabalhar pela integração regional.

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