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''''Não alimentamos boom imobiliário'''', diz Greenspan

O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Alan Greenspan acredita que os problemas nos mercados de crédito poderão afetar a economia em geral. ''''Há alguma evidência de que isso está começando a afetar os gastos atuais com consumo, por exemplo, nos dois meses de vendas mais fracas de veículos'''', disse Greenspan em entrevista ao Wall Street Journal.O ex-presidente do Fed discorda dos críticos que dizem que a manutenção das taxas de juros baixas durante sua gestão tenha sido o principal fator para o ''''boom'''' de crédito que precedeu as turbulências atuais. Greenspan sugeriu que a política monetária seja avaliada à luz dos riscos e do ambiente diante dos quais o Fed estava naquela época. Para ele, as inovações que alimentaram o ''''boom'''' do crédito foram positivas.Em 2003, a inflação nos EUA havia caído para perto de 1% e a economia estava operando bastante abaixo de sua capacidade, criando risco de deflação. Greenspan acreditara, no passado, que a deflação era algo impossível com uma moeda de papel, já que o Fed, livre das limitações impostas pelo padrão-ouro, podia simplesmente imprimir dinheiro até criar inflação.Mas a experiência do Japão com a deflação e a estagnação econômica nos anos 1990 demonstrou o contrário e convenceu Greenspan a evitar a experiência. O então presidente do Fed viu suas opções como uma questão de ''''gestão de risco'''': aceitar alguns riscos administráveis naquele momento, como a possibilidade de inflação mais alta mais tarde (o que parecia improvável, tendo em vista a diferença entre o crescimento econômico e o potencial), em troca de eliminar a menor possibilidade de uma deflação que poderia ser muito pior, além de não-administrável.Na entrevista, Greenspan explica: ''''Decidimos em 2003 que, apesar de julgarmos que a probabilidade de uma deflação severa era pequena, caso ela acontecesse, suas conseqüências provavelmente seriam devastadoras. Por isso, escolhemos fazer um seguro contra elas, reconhecendo totalmente, naquele momento, que estávamos correndo riscos no processo.''''''''Tentamos, em 2004, fazer as taxas de juro de longo prazo subirem, de modo a elevar os juros das hipotecas e aliviar um pouco a efervescência do mercado de moradias. Mas fracassamos. Fomos atropelados pelo excesso de poupança global, que continuou a pressionar os juros de longo prazo para baixo.''''

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

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