Cláudia Trevisan/Estadão
Cláudia Trevisan/Estadão

‘Não consigo ficar animada com o que estou vendo’

Para a colunista do 'Estado' e pesquisadora do Peterson Institute, o Brasil passa por um momento de euforia sem fundamento

Entrevista com

Mônica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute

O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2018 | 23h23

Para a colunista do Estado e pesquisadora do Peterson Institute, Monica de Bolle, o Brasil passa por um momento de euforia sem fundamento. “A recuperação econômica que tivemos até agora não justifica esses números do mercado”, diz. A seguir, trechos da entrevista.

Os recordes consecutivos da Bolsa brasileira refletem mais o exterior do que a situação atual do País?

Tem uma parte que está atrelada ao cenário internacional, refletem o bom momento dos mercados estrangeiros, mas o Brasil está passando por um momento de euforia sem fundamento. Há uma melhora da economia brasileira, mas não justifica em absoluto esses números do mercado, tendo em vista as imensas dificuldades que o País ainda vai enfrentar.

Pelas reformas adiadas?

Todo mundo sabe que os problemas fiscais do Brasil ainda são graves e que a reforma da Previdência não vai passar. O rebaixamento da nota de risco do País veio por isso. Esses problemas vão estourar no próximo governo.

Estamos vendo uma bolha se formar no mercado?

É difícil chamar qualquer coisa de bolha agora, porque a gente só sabe que viveu uma depois que ela estoura. Mas tem acontecido um descolamento claro entre o mercado e os fundamentos da economia.

Os índices divulgados mais recentemente, como o IBC-Br de novembro, não são animadores?

Eu prefiro olhar para frente e não consigo ficar animada com o que vejo. O mercado e os políticos querem ver o julgamento do ex-presidente Lula no dia 24 como algo decisivo. Qualquer um sabe que ele vai continuar sendo uma figura relevante na eleição, e os candidatos dito de centro tentarão se contrapor a ele. Nesse contexto, toda a discussão de reformas se perde e o próximo presidente pode ficar sem legitimidade para fazer as reformas depois. Como ficar otimista?

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