Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Não dá para saber se decisão da Arábia Saudita tem 'viés ideológico', diz general Heleno

Mais cedo, ex-secretário-geral da Liga Árabe afirmou que a decisão seria uma retaliação dos países árabes ao governo Jair Bolsonaro

Adriana Fernandes, enviada especial

22 Janeiro 2019 | 20h31

DAVOS - O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)general Augusto Heleno, disse ao Estadão/Broadcast que não dá para saber se a decisão da Arábia Saudita de descredenciar cinco plantas brasileiras a exportar carne de frango ao país "teve viés ideológico".

Mais cedo, o secretário-geral da Liga Árabe até 2011 e hoje um dos diplomatas do Oriente Médio de maior influência na região, Amr Moussa, afirmou que a decisão seria uma retaliação dos países árabes à ideia estudada pelo governo Jair Bolsonaro de mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

"O mundo árabe está enfurecido (com o Brasil)", disse Moussa, que participa do Fórum Econômico em Davos. "Essa é uma expressão de protesto contra uma decisão errada por parte do Brasil", insistiu. O anúncio do governo saudita foi divulgado na noite de segunda-feira, 21, em relatório direcionado ao Ministério da Agricultura do Brasil. Nesta terça-feira, 22, a medida foi mal recebida pelo mercado e os papéis da BRF liderando a queda do índice Ibovespa. As ações ordinárias da BRF chegaram a recuar 4,53%.

Segundo uma fonte diplomática, negociações com a Arábia Saudita em torno da forma de produção do frango vinham sendo feitas desde o governo Temer. Os sauditas têm algumas demandas específicas devido a questões religiosas. Os animais devem ser mortos com o peito direcionado para a Meca e os sangradores têm que ser muçulmanos praticantes, por exemplo. O Brasil é o maior exportador de frango halal do mundo. 

Em 2018, o Brasil enviou para a Arábia Saudita 486,4 mil toneladas de carne de frango, o equivalente a 12,1% do total embarcado no ano.

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