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Não deve faltar energia nos próximos cinco anos

Não há risco de faltar energia elétrica de forma estrutural nos próximos cinco anos. Essa é a conclusão do Plano Anual de Operação Energética 2006 (PEN), do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), finalizado há um mês e encaminhado ao governo e aos agentes do setor. Segundo o ONS, a oferta de energia elétrica ficará abaixo do limite fixado pelo governo, que estabelece o patamar de 5% para o chamado "risco de déficit". Para que esse cenário seja efetivo, porém, os agentes terão de concluir diversas obras, especialmente de geração e de transmissão. O parque instalado, por exemplo, deverá subir dos 97 mil megawatts (MW) de potência previstos para este ano para cerca de 103 mil MW em 2010, com a metade do acréscimo de 6 mil MW de hidrelétricas. Ao contrário dos anos anteriores o ONS não divulgou o PEN deste ano, mas a Agência Estado teve acesso aos dados básicos.Pelos dados do ONS, a situação é tranqüila até 2008, mas apresenta um sinal amarelo para a região Nordeste em 2009, quando as simulações apontam para um risco de 4,8%, já próximo aos 5,0% máximos fixados pelo governo. O problema, porém, pode ser contornado caso seja construído um terceiro circuito de linhas de transmissão entre o Norte e o Nordeste, antes do final de 2009. Há uma linha planejada, interligando as subestações de Estreito-Ribeiro Gonçalves-São João do Piauí-Milagres em 500 kV, mas somente para 2010. O ONS está sugerindo ao governo a antecipação desse circuito para 2009, aproveitando o período de chuvas no Norte. "Caso isso ocorra, o risco de déficit do Nordeste para 2009 cai para 1,9%", ilustrou o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, em entrevista à Agência Estado.Risco de déficit Chipp procurou contextualizar suas observações, alertando que "há muita confusão" entre o que os técnicos do setor definem como "risco de déficit" e o que é entendido pelo público leigo. "Quando você menciona que há o risco de déficit, isso não significa que haverá racionamento de energia, como muitas vezes se entende." Isso porque, explicou, uma menor oferta pode ser contrabalançada por uma redução programada no consumo. Chipp admite, porém, que o País terá de investir muito no setor para atender a demanda, que deverá subir do atual patamar de 48.600 MW médios em 2006 para cerca de 58.600 MW médios em 2010, o que torna o Brasil um dos dez maiores mercados de energia elétrica do mundo. Nesse cenário, o ONS está trabalhando com uma previsão do crescimento da economia (PIB) em torno de 4,0% ao ano e um aumento de 4,8% na oferta de energia. Caso haja um aumento maior do PIB, a oferta de energia terá de ser maior, já que há uma relação de causa e efeito entre o Produto Interno Bruto (PIB) e consumo de eletricidade, alertou.Viabilidade Além disso, o ONS considera como realidade alguns projetos que os especialistas colocam em dúvida quanto à viabilidade efetiva. É o caso, por exemplo, do restabelecimento da oferta de energia da Argentina para o Brasil (1.600 MW médios a partir de 2009), ou mesmo a implementação dos 3.100 MW de potência das usinas do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa). Isso, sem mencionar que o ONS desconsidera qualquer hipótese de interrupção no fornecimento de gás natural ao Brasil pela Bolívia. "Caso haja algum problema, a Petrobras poderá acionar as térmicas com óleo combustível ou óleo diesel, já que há o compromisso da empresa de converter nove usinas, com potência de 3.195 MW para o tipo bicombustível", argumenta o executivo.A possibilidade contar com térmicas bicombustíveis por parte da Petrobras, porém, é um dos pontos mais frágeis do plano de oferta de energia elétrica, na avaliação de especialistas do setor. Embora a Petrobras publicamente sempre mencione que transformará suas usinas em bicombustíveis, os técnicos da estatal, em comentários extra-oficiais, sempre colocam em dúvida essa opção. Um dos problemas, por exemplo, é a questão ambiental. "As usinas foram construídas para usar gás natural. Se for usar óleo, é possível que haja problemas com as autoridades do meio ambiente", explicou um técnico da empresa. Isso sem mencionar a possibilidade de redução no desempenho, o que pode trazer prejuízos futuros à usina projetada para durar 15 anos. Mas o maior problema é o econômico, já que o custo do óleo é muito maior do que o do gás natural e essa diferença terá de ser bancada pela estatal. Em alguns casos, o óleo combustível custa duas a três vezes mais do que o gás natural.

Agencia Estado,

14 de junho de 2006 | 14h26

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