NILTON FUKUDA / ESTADÃO
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'Não devemos nos surpreender com a alta do dólar', diz presidente do BNDES

Dyogo Oliveira avalia que alta da moeda norte-americana é comum em processos pré-eleitorais

Cynthia Decloedt e Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2018 | 11h24

A alta para perto de R$ 4,20 do dólar na quinta-feira, 13, não deve ser tomada com surpresa, já que esse é um evento recorrente nos processos pré-eleitorais, disse o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo de Oliveira, na abertura do Fórum Brasileiro das Incorporadoras, promovido pela Abrainc, em São Paulo.

"Se atualizarmos o câmbio de 2002, daria a mais de R$ 8,00 (considerando a inflação do período). O que estamos assistindo é 50% do nível de estresse de 15 anos atrás e isso mede a evolução que tivemos enquanto economia e País", afirmou, nesta sexta-feira, 14.

De acordo com ele, o comportamento não é minimamente comparável com o que o País viveu nas últimas cinco décadas, "em que a economia tinha dependência de uma ou duas commodities agrícolas, para uma economia ainda de commodities mas diversificada".

Dyogo Oliveira afirmou que o Brasil convive com equilíbrio da balança, reservas internacionais, inflação controlada e um regime institucional sólido.

"O impacto da eleição nas nossas vidas e decisões econômicas é menor, porque já avançamos em várias pautas, o que fará com que nenhum dos candidatos ande para trás em pautas já consolidadas", previu.

Segundo ele, qualquer que seja o presidente eleito, haverá continuidade nos grandes avanços obtidos, embora "cada um deva colocar seu encaminhamento, o que pode ter mais ou menos impacto no crescimento".

Presidente do BNDES prevê crescimento de 3% nos próximos anos

O presidente do banco de fomento previu crescimento de 3% ao ano da economia brasileira nos próximos anos, “sem problemas”. “Mas precisamos fazer a reforma da Previdência”, acrescentou.

Dyogo Oliveira comentou ainda sobre a importância do setor imobiliário e de construção para o crescimento do País, lembrando que a construção residencial responde por 25% dos investimentos e que, somado à infraestrutura, alcança os 50%. “A saída para o País é o investimento. Portanto, é a construção que terá de andar. A saída para o Brasil é o crescimento do mercado imobiliário, da construção e da infraestrutura e qualquer um que assuma vai buscar esse caminho.”

Ele observou que, se a taxa de juros permanecer no atual nível por dois anos, os R$ 6 trilhões de recursos que estão “parados” em fundos de renda fixa, reservas dos fundos de pensão e das seguradoras e nos family offices (grupos de investimento) podem irrigar o setor.

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