Sérgio Neves/Estadão
Sérgio Neves/Estadão

Não é a 1ª vez que Alpargatas é alvo de negociação

Dona da Havaianas já foi oferecida a fundos de investimento; valor de mercado da empresa é estimado em cerca de R$ 3 milhões

Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2015 | 02h04

Esta não é a primeira vez que o controle da Alpargatas é negociado no mercado. O Estado apurou que a companhia já foi oferecida para fundos e outras empresas, nos últimos meses. "Fomos procurados por bancos, que nos ofereceram o negócio por entender que a Alpargatas não faz parte do 'core business' da Camargo Corrêa", disse o executivo de um grande fundo de investimento.

Agora, o que existe é um processo competitivo pelo controle da empresa, que está sendo disputado por fundos de private equity, que compram participações na empresa. Mas o teor dessas negociações ainda não chegou aos membros do conselho da companhia, segundo fontes ouvidas pelo Estado. "A família tem um apego emocional à empresa", disse outra pessoa familiarizada com o assunto. Além disso, pesam na decisão de venda os atraentes dividendos que a dona da Havaianas paga regularmente.

Apesar do processo estar em curso, ainda não há ofertas firmes pelos 44,12% que estão nas mãos da Camargo. O valor de mercado da empresa é de R$ 3 bilhões, 35% menor que há 12 meses, segundo a Economática. Fontes de mercado afirmaram que esse preço na Bolsa, no entanto, não reflete o real valor da companhia. "É um ativo subvalorizado", disse uma fonte do mercado financeiro. Mas quem fizer a oferta terá de pagar um prêmio alto pelo controle da empresa.

Bolsa. Nos últimos meses, o conselho da Alpargatas também discutiu a possibilidade de a companhia migrar para o Novo Mercado da BM&FBovespa. "Classificar a empresa no Novo Mercado ajudaria muito na valorização das ações da companhia", disse uma fonte. Essas discussões, contudo, nunca avançaram. No conselho da Alpargatas, os controladores têm três das seis cadeiras, sendo que duas são ocupadas por integrantes da família e a outra por um conselheiro independente.

Caso decida ir adiante com a venda da empresa, apesar do cenário econômico adverso no Brasil, o perfil cada vez mais global da marca Havaianas, que hoje arrecada mais de 50% de suas receitas em moeda estrangeira, deverá ajudar a alimentar o interesse pela Alpargatas.

Essa "virada" no faturamento se deu ao longo dos últimos dez anos. Em 2005, somente 2% das receitas estavam concentradas lá fora. No primeiro semestre, a Alpargatas teve receita de R$ 1,95 bilhão, alta de 11,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro, na mesma comparação, subiu 35,4%, para R$ 145 milhões.

A seu favor, a companhia tem o apelo de sua marca e forte atuação no mercado internacional. Também é dona da grife carioca Osklen, marca de luxo fundada pelo médico e estilista Oskar Metsavaht. Essa aquisição foi uma aposta da Alpargatas para aumentar sua presença no mercado internacional, após o sucesso com a Havaianas.

A Alpargatas também é dona das marcas Dupé (mais popular), Topper, Rainha, Sete Léguas, além de deter as licenças da Mizuno e Timberland no Brasil.

Como forma de diversificar seus negócios, a companhia lançou, em maio de 2014, uma coleção de roupas casual e de praia. As roupas, produzidas de forma terceirizada, fazem parte da estratégia da empresa de potencializar a marca Havaianas.

Se no caso dos chinelos de borracha o grupo Camargo Corrêa conseguiu consolidar uma marca forte, o mesmo não ocorreu com a Tavex, fabricante de tecidos, que passou por um amplo processo de reestruturação, coordenado pela consultoria Galeazzi & Associados.

O projeto foi focado no reposicionamento da marca Santista, que já foi sinônimo de jeans e confecções no Brasil nos anos 70 e 80, mas que não decola mais. Fontes afirmaram que a empresa tentou vender esse negócio, que representa 4,1% do faturamento do conglomerado, sem sucesso. Agora, com esse cenário adverso, a Tavex não deve mudar de mãos tão cedo.

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