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Não é crise, é turbulência, diz Mantega

"Estamos a cavaleiro (por cima), porque a economia brasileira está sólida"

Fabio Graner e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

26 de julho de 2007 | 18h40

Diante das turbulências internacionais, que atingiram o mercado brasileiro, o ministro da Fazenda Guido Mantega convocou nesta quinta-feira, 26, uma entrevista para dizer que não é possível dimensionar o tamanho e a duração da crise. "Aliás, não sei se posso falar em crise. Prefiro falar turbulência", disse. Depois de se corrigir e, com várias contradições, Mantega avaliou que os movimentos no mercado devem ser passageiros. Bovespa cai mais de 3% e zera ganhos do mês Para ele, a volatilidade internacional é um processo de ajuste. "Os ativos perdem valor e param num patamar e, depois a economia segue", disse Mantega, lembrando movimento semelhante ocorrido em maio do ano passado, que durou cerca de duas semanas. O ministro destacou que embora não saiba "o tamanho e a duração da turbulência", o governo está tranqüilo por causa da solidez dos fundamentos econômicos brasileiros, "que nos permitem passar por turbulências maiores ou menores".  "Estamos a cavaleiro (por cima), porque a economia brasileira está sólida", acrescentou. Segundo ele, uma das armas que o Brasil tem para se defender é o câmbio flutuante, que se ajusta aos fluxos financeiros e trabalha como uma espécie de freio dos movimentos de saída de recursos.  Outro fator positivo citado por Mantega é o superávit em conta corrente (que registra as operações de comércio, serviços e rendas do País com o exterior) e na conta de capitais do balanço de pagamentos (que contabiliza ingressos e saídas de empréstimos e investimentos). Além disso, o governo conta com o alto nível das reservas internacionais do Brasil, que estão na casa dos US$ 155 bilhões, para enfrentar o nervosismo do mercado.  O ministro disse que não enxerga a possibilidade de haver um aumento da inflação no Brasil por causa da desvalorização do real frente ao dólar. Segundo ele, a desvalorização causada ontem pela turbulência é modesta e não vai alterar a trajetória de inflação. Mantega admitiu, no entanto, que o movimento, embora ajude o setor exportador, deixará de favorecer o controle inflacionário. "Não podemos ter o ovo e galinha ao mesmo tempo", disse. Ele não quis comentar, porém, o impacto do câmbio nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que tem mostrado preocupação com o aquecimento da economia e seu impacto na inflação, e apontado a valorização do real como fator de estabilidade dos preços.  Cenário externo Para Mantega, os movimentos do mercado internacional têm como epicentro o mercado imobiliário dos Estados Unidos. Segundo ele, a turbulência contaminou os mercados de diversos países porque muitos investidores estavam realizando operações chamadas de carry trade (em que o investidor capta recursos em mercados de juros baixos e aplica em mercados com rentabilidade mais elevada). O ministro disse que ainda não é possível saber se os problemas na economia dos Estados Unidos, vão provocar uma desaceleração na economia mundial. Caso isso aconteça, Mantega avalia que o reflexo no Brasil pode ser a redução nos preços das commodities exportadas pelo País. Mas afirmou que eventuais perdas no mercado externo serão compensadas pelo mercado doméstico. Segundo ele, o crescimento da economia brasileira tem sido sustentado pelo mercado interno.

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