'Não é hora de baixar a guarda', alerta Meirelles

Presidente do BC diz que é preciso "continuar trabalhando pelo equilíbrio macroeconômico"

FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

11 de setembro de 2009 | 13h36

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comemorou os números do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta sexta-feira, 11, mas disse que é preciso manter atenção à evolução da economia. "Não é hora de baixar guarda. Temos de continuar trabalhando", disse. Para ele, é preciso manter "o equilíbrio macroeconômico" com políticas como o câmbio flutuante, reforço das reservas internacionais e reforço das condições para aumentar o investimento na economia.

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Ao comentar a volta do crescimento no segundo trimestre, Meirelles disse que os dados do IBGE foram uma "excelente notícia". "Evidencia que o Brasil já saiu da recessão e está crescendo desde abril. O Brasil saiu antes da crise e mais forte. Talvez, o País seja o líder do crescimento entre os países no segundo trimestre", disse. O IBGE divulgou hoje que o PIB cresceu 1,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre, após dois trimestres seguidos de queda.

Ele chamou atenção para o fato de que o crescimento da economia no período foi observado pelo lado da oferta e também da demanda. Na oferta, Meirelles destacou que a indústria reagiu e o segmento de serviços manteve a atividade aquecida. "Dessa forma, o País sai da crise de forma uniformemente positiva". Na demanda, ele frisou que o consumo das famílias apresenta números positivos gerados pelo bom desempenho do mercado de trabalho e renda.

O presidente do BC afirmou que os números positivos do PIB no segundo trimestre reforçam a avaliação de que a reação brasileira à crise financeira foi bem-sucedida. "O resultado mostra que as medidas tomadas pelo governo brasileiro e pelo BC foram adequadas, na medida certa, na hora certa e com a análise certa". Para Meirelles, o sucesso da reação brasileira à crise só foi possível graças às condições adequadas da economia que foram construídas no período anterior ao agravamento da situação financeira mundial, há um ano. Durante a entrevista, Meirelles comentou que a reação brasileira já é encarada por alguns analistas como "modelo" para o enfrentamento da crise.

O presidente do BC comemorou o fato de que o Brasil conseguiu manter e, em algumas situações, até melhorar os fundamentos econômicos durante a crise financeira mundial. Ele observou que o País tem atualmente reservas internacionais de US$ 220 bilhões. "Antes da crise, estávamos com US$ 205 bilhões. Muitos países emergentes não conseguiram preservar os fundamentos. Alguns deles gastaram parte das reservas", comentou. Outro exemplo dado por Meirelles é o indicador de emprego. Em julho, o Brasil teve o melhor número do mercado de trabalho para os meses de julho da história.

Para Meirelles, a economia brasileira vai terminar o ano de 2009 no azul. Ele afirmou que "é extremamente possível e provável" que o Brasil tenha crescimento econômico neste ano. Meirelles lembrou que o BC já previa expansão de 0,8% da economia em 2009 no último relatório trimestral de inflação divulgado em junho. "Agora, vamos revisar o dado no fim de setembro", disse, ao lembrar do período de divulgação do próximo relatório que traz a previsão oficial para o comportamento do PIB. Ele, porém, não quis adiantar se a previsão será elevada e para qual patamar.

Para reforçar a avaliação de que a economia deve crescer no ano, o presidente do BC lembrou que alguns indicadores do mercado de trabalho, como o emprego e os salários, já estão em patamar melhor que o observado antes do agravamento da crise financeira, em setembro do ano passado.

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